Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

Com intuito de “proteger” recém nascidos, a tradição indígena obriga pais a sacrificar os bebês com deficiência. Similarmente, o cenário é reverberado na vida de, segundo a OMS, 2 milhões de brasileiros com TEA (Transtorno do Espectro Autista),  que devido à displicência da família e à cultura segregacionista da sociedade, também são martirizadas pelo preconceito e pela falta de inclusão.

Primeiramente, é importante salientar que, embora a Constituição assegure o direito da cidadania à pessoa autista, o corpo social é negligente em ampará-la como a lei garante. Em virtude disso, é fator contraproducente para integração de tais indivíduos, a carência quanto ao diagnóstico, tratamento e conhecimento sobre a doença, principalmente em níveis mais leves com a Síndrome de Asperger. Analogamente, a série televisiva “The Good Doctor” retrata a vida do jovem médico que sofre com a doença e não tem por maior desafio lidar com os sintomas, mas superar as pessoas que o subestimam. Assim, evidencia-se o desprezo e despreparo da população em diversos âmbitos.

Convém ressaltar, também, a dificuldade no convívio e na inserção no mercado de trabalho como grande empecilho. Consoante Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Sob esse viés, a inclusão intersetorial é primordial, pois mesmo  com a capacidade de comunicação reduzida, os indivíduos com o distúrbio possuem características, como o foco e a facilidade de concentração em atividades repetitivas, úteis ao exercício de diversas profissões.

Destarte, é necessária uma ação conjunta entre Estado e comunidade. Esta deve participar ativamente dos projetos propostos pelas secretárias municipais, que, por sua vez, por intermédio de palestras ministradas por psicólogos,atendimento gratuito e incentivos de emprego, combatam o impasse. Dessa forma, a insipiência e o esteriótipo não “sacrificarão” autistas e o Brasil caminhará para um futuro de equidade a todos.