Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/06/2019
Na série, “Atypical”, da Netflix, lançada em 2017, é retratada a dificuldade do jovem “Sam”, de 18 anos, diagnosticado dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), para se incluir no mundo social e escolar. Fora da ficção, a realidade dos autistas brasileiros não é diferente, posto que a falta de profissionais preparados para atuar em prol desses cidadãos é precária. Somando-se a esse cenário, a falta de informações sobre esse transtorno corrobora para que as dificuldades de inclusão dessa minoria aumentem.
Em primeira análise, a ausência de profissionais com formação para orientar os diagnosticados complica a problemática. Por mais que, desde 2012, no Brasil, haja a lei 12..764, que determina que pessoas com autismo podem frequentar escolas regulares e solicitarem acompanhamento no local, as escola ainda persistem em negligenciar a lei, visto que, segundo dados da pesquisa feita por 13 centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi), no Rio de Janeiro, revela que 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula.
Vale ressaltar, também, que o descaso por parte da Mídia agrava, de forma intensa, os entraves. De acordo com Aristóteles, filósofo grego, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Todavia, essa “vida em sociedade” não ocorre com os autistas, uma vez que, sem informações sobre do que se trata o transtorno (TEA) e como ele se manifesta nos indivíduos que o possui, a sociedade tende a agir com negligência e intolerância com aquelas. Consoante ao jornalista estadunidense, Abbott J. Liebling, “A função da imprensa é informar, mas seu papel na sociedade é ganhar dinheiro.” Logo, enquanto o papel e a função da Mídia não for a informação e o bem coletivo da população, grupos minoritários continuarão a sofrer as consequências dessa falta de atenção.
É evidente, portanto, que há entraves para que os autistas consigam se incluir na atual sociedade. Primeiramente, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meios de cursos que possam capacitar professores e gestão, oferecer uma preparação para com os diagnosticados, a fim de que haja uma interação social entre mestres e alunos. Em contrapartida, a Mídia deve divulgar informações sobre a situação dessa minoria e sua necessidade de inserção entre a população, com a finalidade de que o público alvo possa ter conhecimento sobre o assunto e ser tolerante com aqueles que necessitam. Somente assim, a questão da inclusão dos autistas na sociedade brasileira poderá avançar rumo a resultados eficazes.