Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/06/2019
Na Roma Antiga, era permitido o sacrifício de crianças que portassem algum tipo de deficiência física ou mental e, durante o regime nazista, o ideal de eugenia foi utilizado para justificar o extermínio de judeus, homossexuais e pessoas com transtornos mentais. Dessa forma, as dificuldades para inclusão de pessoas com transtornos como o autismo não são uma questão atual, mas, sim, um problema que enfrenta obstáculos como o preconceito familiar e o despreparo de profissionais escolares há muitos anos.
A priori, o preconceito é um enorme desafio à inclusão social de pessoas autistas. Consoante ao cantor Cazuza, “eu vejo o futuro repetir o passado”, assim como na Antiguidade Clássica alguns pais preferiam sacrificar seus filhos ao notarem que eram portadores de transtornos físicos ou mentais, muitos brasileiros sentem vergonha de seus filhos autistas e, consequentemente, evitam sair com suas crianças e, até mesmo, procurar um tratamento médico adequado. Além disso, quanto maior a demora no tratamento, mais as dificuldades comunicativas vão crescendo, o que trará prejuízos ao futuro do portador do TEA, que muito dificilmente conseguirá ingressar no ensino superior ou arranjar um trabalho com boa remuneração, tanto pela discriminação nesses ambientes quanto pela falta de habilidade social originada do isolamento dentro de suas casas.
Ademais, os profissionais de ambientes escolares geralmente não sabem como lidar com portadores do TEA. A Lei 12.764 garante aos autistas o acesso à educação inclusiva, porém esbarra na desinformação dos professores sobre a heterogeneidade dos indivíduos autistas, caracterizada pelas diferentes necessidades e competências de cada criança autista. Educação inclusiva está longe de ser apenas matricular um portador numa escola qualquer e esperar que tenha o mesmo resultado que as outras crianças, os portadores do transtorno necessitam de uma atenção especializada e cada um deles apresenta diferentes velocidades de aprendizagem. Entretanto, o currículo profissional dos professores da rede pública estão longe de atender aos requisitos necessários para que a Lei 12.764 seja efetivamente cumprida e os autistas possam se incluir na sociedade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge que o Ministério da Educação forneça subsídios às Prefeituras Municipais, para que possam ser construídos mais centros que proporcionem acesso gratuito a cursos sobre TEA para professores da rede pública, e às escolas públicas, a fim de possibilitar a realização de atividades lúdicas como mesas redondas que contem com a participação de trabalhadores autistas de todas as áreas, visando fortalecer a visão de que, com o tratamento precoce e adequado, os portadores do transtorno podem alcançar qualquer objetivo.