Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/06/2019

" José, um garoto de 8 anos, era uma criança excluída no âmbito social e, principalmente, na escola. Este, por sua vez, era vítima de olhares oblíquos por seus comportamentos serem diferentes dos seus colegas; e seu modo introvertido de ser, era encarado como algo normal, não tendo a devida atenção. Dessa forma, o menino cresceu sem saber que tinha Transtorno do Espectro Autista e não recebeu o devido tratamento, o que desencadeou em agravamento dos sintomas". Esta história, embora fictícia, infelizmente é a realidade de diversas pessoas com autismo no Brasil, uma vez que a desinformação, preconceito e a falta de qualificação dos profissionais educacionais leva à exclusão social desses indivíduos, o que se configura como entrave para uma possível inclusão.

Nessa perspectiva, esse transtorno neuropsiquiátrico ainda é rodeado por falta de informação e ignorância no que diz respeito a essa síndrome. Assim, é evidente o individualismo de uma sociedade que se mostra alheia a causas sociais e políticas públicas, com tamanha insensibilidade que não tenta, no mínimo, compreender aquele que pode estar passando por alguma dificuldade. Diante do pressuposto, vale ressaltar que foi apenas em 1993 que a síndrome foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde,segundo dados da USP em 2018. De fato, essa situação corrobora o pouco que se sabe sobre a questão. Em contrapartida, é importante que o autismo seja diagnosticado antes dos 2 anos pois não tem cura, portanto, a detecção precoce é fundamental para reduzir os sintomas e melhorar a vida da criança. Com isso, é necessário campanhas que informem e conscientizem sobre os sinais da doença, para que os pais e as escolas fiquem atentos ao comportamento das crianças.

Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, logo é de extrema importância a inserção dessas crianças na escola regular, com o objetivo de incluí-las no processo de socialização.Todavia, o despreparo do corpo docente nas escolas tem que ser convertido em preparo, para que os alunos com esse problema venham a se desenvolver da melhor maneira possível. Sob essa perspectiva, conforme o filósofo Habermas, “incluir não é apenas trazer pra perto, mas criar oportunidades para lhe garantir autonomia, tornando-o cidadão real”.

Sendo assim,o Ministério da Educação,órgão responsável por formular e avaliar a política nacional de educação,por meio de treinamentos e palestras,deve qualificar os professores,para que estes entendam melhor sobre esse viés e saibam identificar os estudantes com alguns distúrbios.Além disso, é importante promover projetos com esse tipo de assunto,convocando os pais dos alunos a participarem,com o propósito de orientá-los a observar seus filhos.Assim sendo,haverá maior inclusão.