Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

Na Roma Antiga, existia uma cultura que permitia sacrificar as crianças que nasciam com alguma deficiência. Esse panorama mostra, apesar de tal prática não ser aceita na sociedade contemporânea, uma cultura preconceituosa que perdura até o momento atual, dificultando o pleno desenvolvimento e a autonomia das pessoas com autismo. Nesse sentido,  inclusão de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista, garantida por mecanismos legais, torna-se uma problemática que se desenvolve devido não só à desinformação e discriminação por parte da população como também à falta de suporte adequado aos portadores dessa síndrome.

Em primeira análise, é importante destacar que, em função da falta de conhecimento sobre esse transtorno, os autistas são cada vez mais expostos ao preconceito e à discriminação, consequência da demora na inclusão do autismo na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde que, só aconteceu em 1993, segundo dados da USP. Sob essa perspectiva, pessoas com Transtorno do Espectro Autista enfrentam dificuldades para alcançar uma cidadania plena, visto que pela pouca informação científica disponível sobre essa questão aumentam a exclusão social do autista e os  casos de diagnóstico tardio, o que agrava esse cenário.

Somado a isso, a carência de profissionais qualificados para o acompanhamento multidisciplinar, prejudica a inserção do autista no corpo social. Nesse contexto, a Constituição Cidadã de 1988 garante educação inclusiva aos deficientes, contudo esse direito não é assegurado. Consoante Aristóteles no livro " Ética a Nicômaco", a vida em sociedade é fundamental para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se corrompido no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também a oferta de especialistas não está presente em todo território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Torna-se evidente, portanto, que a inclusão de pessoas com autismo no Brasil é uma barreira que precisa ser superada. Para tanto, o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Saúde devem criar políticas públicas nas escolas e em postos de saúde, que integrem as duas esferas, por meio de panfletos informativos, palestras e debates sobre o autismo e a importância do tratamento adequado, a fim de minimizar o preconceito pela falta de conhecimento. Além disso, o Estado deve investir na qualificação de profissionais, como professores, médicos e psicólogos, para uma melhor assistência ao autista. Cabe ainda, as ONG’s criarem grupos de apoio aos pais de autistas, para esclarecer dúvidas, trocar experiências e conhecer os direitos dos filhos, com o propósito de que a inclusão desse grupo seja efetiva.