Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/06/2019

Émile Durkheim disseminou um pensamento segundo o qual a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os seus componentes devem viver em harmonia para que seja possível alcançar o equilíbrio geral. Sob esta ótica, é possível mencionar que o corpo social brasileiro caminha lentamente para atingir esse equilíbrio, tendo em vista que, entre as diversas barreiras enfrentadas pela sociedade, a questão da falta de inclusão é uma das mais significativas. Nesse viés, não há dúvidas de que alguns setores populacionais, como o dos autistas, enfrentam inúmeros desafios referentes à sua inclusão no âmbito social, desafios estes que ocorrem principalmente devido à negligência jurídica do país, além de estarem relacionados com o preconceito sofrido por esses indivíduos na sociedade.

De fato, a negligência jurídica do país contribui para que a inclusão dos portadores de necessidades especiais, principalmente dos portadores de autismo, se tornasse um desafio na esfera social. Desse modo, embora o Supremo Tribunal Federal tenha criado, em 2015, um Estatuto em favor dos deficientes, percebe-se que as atitudes realizadas pelos órgãos governamentais não são baseadas no princípio moral de inclusão e nem são pautadas em ideais igualitários. Assim, como defesa dessa assertiva, pode-se citar o desespreparo dos profissionais em relação às necessidades especiais dos portadores de deficiência e a maneira de lidar com os autistas.

Além disso, cabe salientar que a ignorância humana frente às dificuldades e às necessidades alheias se faz evidente na construção da barreira exclusiva. Dessa maneira, o preconceito também se faz presente como fator causador da problemática, tendo em vista que a herança alemã intolerante e deletiva, perpetuou-se por séculos, plantando ódio em defesa da superioridade da raça ariana, tanto disseminada por Hitler na Segunda Guerra Mundial. Logo, percebe-se que esse ideal de superioridade ajudou na exclusão dos deficientes, no contexto abordado, dos autistas, tornado escassa o exercício da cidadania por essa pessoas.

Portanto, para que seja possível driblar os desafios e alcançar o equilíbrio proposto por Durkhein, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Governo fazer valer a lei que protege os portadores de deficiência, por meio da instituição de políticas públicas que buscam disponibilizar cursos preparatórios para profissionais da saúde e para educadores, com o objetivo de ensinar as técnicas, práticas e maneiras de tratamento para com os autista, estimulando assim a doutrina inclusiva social. Ademais, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, promover a realização de campanhas e palestras proativas, com a finalidade de elucidar o alunado sobre a importância da inclusão social, induzindo-o ao pensamento crítico.