Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/06/2019
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa, em linhas gerais, um quadro de dificuldade de comunicação e interação social. Dessa forma, as pessoas diagnosticadas com esse problema enfrentam sérios entraves para realizarem atividades cotidianas e ainda sofrem com o preconceito e o despreparo das instituições e da sociedade. Sendo assim, medidas devem ser tomadas para atenuar esses impasses, uma vez que a falta de informação e a inobservância governamental reforçam a estigmatização do autismo e impedem a inclusão do seus portadores na comunidade.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar a pouca veiculação de informações sobre o autismo como um dos principais fatores que dificultam a integração de seus portadores. Isso porque não é de conhecimento de todos os diversos sintomas, dificuldades e particularidades encontradas em cada nível do espectro, o que acaba dificultando o diagnóstico e tratamento correto. Assim, muitos autistas não recebem o auxilio necessário para que possam se desenvolverem socialmente e, consequentemente, são cada vez mais afastados do convívio e manifestações sociais, o que gera preconceito e discriminação. Essa realidade pode ser vista na série televisiva “Atypical” da Netflix, que traz a tona de forma leve esse assunto que ainda é tratado como tabu e esclarece alguns pontos sobre esse transtorno. Desse modo, é essencial a criação de artifícios que possam informar para, assim, incluir.
Além disso, a falta de investimentos do governo em assistência psicológica e educacional reduz as chances de pessoas com autismo tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento. Isso fica em evidencia quando observado os dados do Projeto Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, que aponta em cerca de 2 milhões o número de autistas no país, no entanto, desses, 95% estão completamente desassistidos. Desse modo, o despreparo de muitos profissionais da área de educação e saúde em saber lidar e reconhecer os traços desse transtorno dificulta o processo de aprendizagem e integração social, uma vez que quanto mais cedo se inicia a intervenção terapêutica, menores são os efeitos desse problema e maior é o exito no desenvolvimento desse paciente, que poderá levar uma vida normal e garantirá sua participação ativa na comunidade.
Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas para possibilitar a inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Para tanto, é importante o papel de ONGs em parceria com a mídia na promoção de campanhas que tragam a tona todas as informações sobre esse transtorno, no intuito de não estigmatizar e diminuir o preconceito existente. Ademais, cabe ao Ministério da saúde junto com as prefeituras municipais oferecer aos profissionais da educação cursos de qualificação para que possam saber lidar com alunos portadores e assim garantir o desenvolvimento escolar e social.