Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/06/2019
Marcos Petry -austista, palestrante e escritor- criou um blog intitulado “diário de um autista”, no qual ele dialoga sobre as dificuldades causadas pela deficiência e como enfrentá-las. Na contemporaneidade, é evidente o aumento de indivíduos com autismo, no entanto, a inclusão dessas pessoas na sociedade brasileira ainda é um desafio. Ora, para formar uma coletividade diversa e inclusiva, é necessário que haja um engajamento da sociedade e do estado à questão.
Em primeiro plano, um entrave é o persistente comportamento indiferente da sociedade, no tocante a inserção do autista à conjuntura. Tal postura, é motivada pela falta de conhecimento acerca do assunto, pois grande parcela da população acredita que o Transtorno do Espectro Autista significa uma vida sem oportunidades, é exatamente esse tipo de informação que alimenta o preconceito. A esse respeito, Clay Brites -neurologista e especialista em TEA- afirma que a melhor proposta é disponibilizar informações que ajudem a nortear a família, a escola e a sociedade sobre como inserir os autistas, de maneira justa e igualitária, no corpo social. Decerto, esse cenário ecoa no que citou o escritor Roberto Campos: “tudo que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”.
Além disso, outro desafio a ser enfrentado é o descaso estatal no tocante a omissão da lei n 12.764 de Dezembro de 2012. A legislação instituiu que o tratamento dos indivíduos com a síndrome do TEA é um dever do poder público e estabeleceu direitos para os autista como o acesso a ações e serviços de saúde que visem atender integralmente suas necessidades. Apesar disso, a realidade -no Brasil- é outra, uma vez que faltam profissionais preparados para lidar com o transtorno, sobretudo, na rede pública. Sem dúvida, tal cenário é reflexo da negligenciação governamental.
A fim de que a inserção dos autistas deixe de ser um desafio, cabe, portanto, um norte às devidas intervenções. Primeiro, é imprescindível dispor do apoio da mídia, para divulgar através de propagandas, os diversos sintomas do autismo e a importância da inserção dessas pessoas na conjuntura; diante disso, espera-se que a desinformação acerca do assunto seja amenizada. Ademais, cabe ao Ministério da Educação impor à todas as faculdades de medicina, na graduação, o ensino do autismo, com o fito de que a falta de especialistas não seja mais um impasse ao tratamento do TEA. De resto, é pretendido que o desejo de Marcos Petry, por uma sociedade diversa e inclusiva, seja realizado.