Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

Na série norte-americana da Netflix “Atypical”, a trama gira em torno da família de Sam, jovem acometido de autismo que tenta inserir-se no meio social em busca de uma namorada. Nesse cenário, seus pais apresentam uma posição protetora, receosos acerca do que o filho poderá encontrar enquanto persegue seu objetivo. Ainda que essa história seja retratada no meio fictício, não há dúvidas da realidade de difícil inclusão de autistas no meio coletivo brasileiro. Isso ocorre seja por limites impostos por familiares, seja pela falta de informações sobre a doença, dificultando o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento.

Em primeiro plano, posto que autismo é um transtorno que afeta a capacidade de comunicar-se e agir do portador, é natural que se tenha relutância dos pais para inserir o indivíduo socialmente. Dessa forma, muitos optam por privar o filho do contato com outras crianças, fazendo uso até mesmo de escolas especializadas, para garantir que este tenha uma série de profissionais que corroborem com seu bem-estar e desenvolvimento, por exemplo. Entretanto, tal atitude restringe o convívio social do autista, prejudicando seu desenvolvimento futuro na relação com as demais pessoas.

Além disso, a falta de informações sobre a doença dificulta a precisão e o diagnóstico da mesma, visto que exames laborais ou de imagem são incapazes de identifica-lá. Consequentemente, são poucos os profissionais e familiares que tem conhecimento do tema, oque acaba por dificultar o tratamento e a busca por uma melhor qualidade de vida do paciente.

Portanto, urge que hajam medidas capazes de minimizar a desinformação acerca do transtorno de autismo. Para tanto, instituições escolares e secretarias municipais de saúde devem providenciar palestras que informem a comunidade sobre o tema, desmitificando a ideia de incapacidade formada em relação ao autista. Ademais, é indispensável que o Ministério da Saúde desenvolva programas de estudo sobre a doença e promova cursos de especialização aos profissionais da educação e saúde, possibilitando a capacitação de instituições regulares no atendimento aos pacientes, para que esses possam ser inseridos na vida em sociedade.