Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

“Atypical”, recente série da Netflix que trata sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é uma opção para informar a população sobre as condições de quem é autista, entretanto as particularidades que envolvem cada caso e seus diferentes níveis de gravidade dificultam o processo de identificação, medidas preventivas e conscientização. Com isso, a complexidade em se estabelecer um padrão de tratamentos e a segregação dessas pessoas na sociedade são obstáculos na luta contra o transtorno.

Em primeiro âmbito, a falta de pesquisas no intuito de diagnosticar tal condição dificulta a identificação precoce, agravando os casos e trazendo mais sofrimento para a família. Por isso, parafraseando a psicóloga e doutora em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Cintia Perez, em uma entrevista à revista Saúde, de 2017, a maioria dos exames são para excluir a possibilidade de outros tipos de quadros e não diagnosticar o autismo em si, tal contexto ratifica que há uma negligência no desenvolvimento de formas mais eficazes de identificação, visto que há exames para outros tipos de patologias.

Já em segunda análise, a atenção voltada para o autismo apenas em dias específicos do ano, como 2 de abril (Dia Mundial da Conscientização do Autismo), causa uma marginalização dessa parte da população que após anos vivendo apenas sob cuidados familiares, sem uma interação social considerável, transformam-se em adultos sem capacidade de crescimento profissional. Em consequência disso, de acordo com uma pesquisa realizada pela National Autistic Society, em 2018, apenas 12% dos adultos autistas com alto grau de funcionamento trabalham, dessa forma nota-se a defasagem da inclusão de pessoa com TEA na sociedade, pois o emprego ajudaria a manter os direitos básicos dos mesmos.

Em síntese, as singularidades de cada paciente com autismo e seus diferentes estágios de gravidade impedem uma melhor compreensão da população sobre esse transtorno. Logo, faz-se necessário uma maior difusão de informação nos cursos da área da saúde sobre essa situação, através da criação de grupos pesquisas pelas universidades, no intuito de desenvolver uma forma mais rápida e simples de diagnóstico. Além de um dever em dar mais voz para esses pacientes, criando um comitê estadual com a participação de autistas e seus familiares, em conjunto com o Ministério Legislativo, para decidir sobre a criação de estatutos com direitos deles, com o propósito de ampliar a inclusão dos mesmos na sociedade.