Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/05/2019
Aos 45 anos, a jornalista e escritora inglesa Laura James recebeu o diagnóstico de autismo, o que veio a lhe iluminar várias questões sobre si mesma, como os motivos pelos quais se sentia tão diferente das pessoas que conviveu durante toda a vida. Laura é portadora da mesma síndrome que atinge um número grande, porém inexato, de brasileiros, sendo que a imprecisão deve-se à falta de pesquisas na área, em contrapartida à importância que a questão tem para a sociedade. Nesse sentido, torna-se necessário o debate acerca dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.
Primeiramente, é importante destacar que o autismo apresenta grande variabilidade, sendo que as principais características manifestadas são dificuldades na comunicação e na interação social, bem como comportamentos repetitivos e sem clara finalidade, conforme define o neuropediatra Salomão Schwartzman. Dessa forma, as pessoas autistas, especialmente as crianças, sofrem com um mundo que não é de maneira nenhuma adaptado a elas, pois está em constante mudança e não oferece, de modo geral, empatia ou paciência com o próximo. Apesar do atendimento integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista ser garantido nacionalmente pela Lei Federal 12764, não é exatamente isso que ocorre na prática. Conforme sustenta Fernando Motta, presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil, são muitas as instituições primordiais de serviços públicos, como escolas e hospitais, que não dispõem de pessoal, espaço ou equipamento adequado para atendê-los corretamente.
Em segundo lugar, é válido pontuar que o conhecimento da síndrome pela população em geral é primordial para aliviar as dificuldades que os portadores da mesma enfrentam. Isso se comprova pelo fato de que, quanto antes for realizado o diagnóstico, mais cedo a criança poderá ser assistida apropriadamente, conforme coloca a psicóloga e consultora de inclusão Thais Boselli. Em entrevista para o canal no Youtube Nova Escola, ela ainda pontua que entre 2 a 3 anos de idade a criança já apresenta sinais de autismo suficientes para gerar o diagnóstico, e cabe aos pais e pediatras se atentarem a eles.
Para amenizar essa problemática, é necessário que o Ministério da Saúde e da Educação promova aumento do orçamento destinado a escolas e hospitais para que ambos tenham os equipamentos, os profissionais e a assistência necessária para suprir as necessidades das pessoas autistas. Além disso, as prefeituras devem realizar eventos com debates e palestras, a fim de conscientizar e informar a população sobre o autismo, de forma que os sinais possam ser reconhecidos e logo diagnosticados. Dessa forma, se promoveria a inclusão do autista na sociedade e o exercício de cidadania pelo mesmo.