Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/05/2019

De acordo com a organização mundial da saúde, o autismo acomete 1 em cada 92 seres humanos atualmente. Nesse sentido, reflete-se que essa é uma situação comum no meio social, apesar de frequentemente ser estigmatizada como rara. A partir dessa perspectiva, é condizente a análise de que esse distúrbio psiquiátrico enfrenta desafios no seu reconhecimento e inclusão de pessoas que manifestam essa doença no Brasil, já que há uma infraestrutura humana e física pouco capacitada a atender esses indivíduos e dificuldades de diagnósticos clínicos desse cenário, além de falta de  aceitação de grande parte da população dessa realidade.

Seguindo essa linha de pensamento, é necessário pensar que há uma carência na logística de tratamento e assistência aos autistas no território brasileiro contemporaneamente. A despeito de existir a lei Berenice Piana, a qual garante os direitos desse grupo como deficientes, verifica-se em muitas regiões do país uma defasagem na real aplicação desse dispositivo, na medida que faltam escolas específicas ou que possuam profissionais, tutores e ambientes qualificados a atender a demanda dos portadores desse espectro psicossocial, os quais precisam de constante acompanhamento especializado devido a dificuldade de interações interpessoais. Concomitantemente a essa situação, o sistema  público e privado de saúde não apresenta suficiência de médicos aptos a identificar e lidar com essa patologia devido ao pouco incentivo à pesquisa e aprofundamento sobre essa doença influenciados por uma baixa exposição desta socialmente. Esses fatores acabam afetando os direitos civis dessa população.

Em segundo plano, pode-se analisar que existe uma dimensão humana e de conhecimento a respeito do autismo que dificulta a compreensão dos indivíduos que possuem esta doença. Pelo fato dessa condição psiquiátrica ser de difícil diagnóstico, por não haver um consenso dos seus sintomas e causas, nota-se que  muitos portadores não são identificados corretamente e tratados de acordo com sua situação. Isso gera um preconceito social em muitas ocasiões por causa do desconhecimento acerca dessa realidade, diminuindo o reconhecimento e aceitação dos doentes pelas pessoas ao redor.

Entende-se, portanto, que a inclusão de autistas na sociedade encontra obstáculos logísticos e sociais no Brasil. Visando a diminuição dessa problemática, o Ministérios da Saúde e Educação devem promover um aperfeiçoamento legal contínuo da Lei Berenice Piana, por meio de capacitação específica de médicos, professores e tutores especializados nesse tipo de condição nos cursos superiores da área. Além disso, esses órgãos precisam promover uma campanha de conscientização junto a sociedade civil organizada a fim de melhorar o conhecimento e aceitação desse panorama.