Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/05/2019
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, a população autista, no Brasil, sofre com a exclusão social, seja por preconceito ou falta de qualificação adequada dos profissionais da educação. Com efeito, não é razoável um estado democrático de direito, que visa a igualdade, aceitar o tratamento desigual aos autistas.
É indubitável que, grande parte da população cultiva um preconceito velado contra os deficientes, negando a eles seus direitos. Consoante o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo, percebe-se que, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a exclusão e a dificuldade de inserção educacional dos autistas, por causa do preconceito contra pessoas deficientes, e da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em decorrência disso, os desafios para a inserção social de tais deficientes estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista, diminuindo as oportunidades sociais dessa minoria.
Outrossim, a falta de capacidade técnica do corpo docente nas escolas é um dos entraves para a educação e socialização das crianças autistas. De acordo com Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Nesse aspecto, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista é fundamental para a manutenção do bem estar social. A partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dessas pessoas, é possível minimizar os efeitos da doença, desenvolvê-los e torná-los adultos sociáveis e inseridos na comunidade. Urge, portanto, que medidas sejam do tomadas para garantir o acesso de pessoas autistas ao âmbito social. Perante isso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação proporcione mecanismos de qualificação dos profissionais de educação, com treinamentos, palestras e orientações sobre como proceder com alunos com esse transtorno, para que, assim, eles possam se desenvolver e viver em sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve promover campanhas para informar a população sobre a doença, e deve, também, aliar-se à instituição familiar, para que sejam trabalhados valores como respeito, tolerância e empatia, a fim de minimizar o preconceito existente e incluí-los a sociedade.