Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/05/2019

Hans Asperger, em sua obra, “Autistic psycopathy in Childhood” desenvolveu estudos sobre os transtornos mentais das crianças. Nessa perspectiva, Asperger usava a terminologia “psicopatia autista” para definir crianças que apresentavam necessidade intensa de repetição, e abstração demasiada em um interesse especial. Destarte, analisa-se algumas peculiaridades que remetem a exclusão desse individuo na sociedade, visto que a desinformação da síndrome na realidade brasileira intensifica um cenário de aversão, além da falta de qualificação adequada dos profissionais da educação.

Em primeiro plano, a ausência de informação acerca do autismo constitui um dos principais entraves para a inclusão do cidadão no corpo social. Paralela a essa ótica, o acompanhamento dos pais desde a infância é de suma importância para o seu avanço cognitivo, visto que com o desconhecimento sobre o transtorno neuropsiquiátrico tem-se a dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Dessa forma, de acordo com as pesquisas do professor do Instituto de Psiquiatria, Estevão Vadasz, uma criança pode evoluir se diagnosticada cedo e se submetida a tratamento adequado, constatando que a criança no extremo do espectro tem seu comportamento bastante comprometido, enquanto a pessoa de grau leve pode desenvolver aspectos intelectuais.

Concomitantemente, a atuação de psicopedagogos capacitados na estrutura escolar auxilia no desenvolvimento do autista, além de introduzir um encorajamento de se incluir na sociedade brasileira, minimizando os efeitos da doença . Entretanto, a realidade atual escolar está longe de ser inclusiva, a falta de professores com capacidade técnica de terapia comportamental para instruir um desencadeamento também pode influenciar no retrocesso do autista. Análoga a esse pensamento, a secretária de Educação Continuada, Ivana de Siqueira, considerou que a inclusão social começa pela educação. Para ela, a criança incluída desde a educação infantil vai ter muito mais condições de seguir na escola e manter sua trajetória.

É perceptível, portanto, que medidas são necessárias para mitigar a exclusão do autista na sociedade. Logo, cabe ao Ministério da Educação junto com as redes midiáticas promover palestras e campanhas educacionais, com o intuito de informar a população sobre o transtorno neuropsiquiátrico, auxiliando os pais sobre a importância desde a infância de tratamentos com terapêuticas especializado em comportamento, para instruir um desenvolvimento assertivo. Além disso, é essencial que o MEC atue na causa capacitando profissionais, principalmente em áreas publicas, para exercer um melhor engajamento, visando educar de uma forma mais didática para uma melhor sociabilidade.