Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/05/2019

Na obra realista de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas” o narrador-protagonista apaixona-se por uma mulher “coxa”. No entanto, devido ao preconceito, ele não casa-se com ela. Fora da literatura, os indivíduos portadores de necessidades especiais enfrentam, diariamente, uma forte exclusão social. Dessa forma, os desafios da inclusão de autistas no Brasil permeiam duas barreiras principais, a falta de conhecimento sobre a temática e a desqualificação dos profissionais da educação que recebem alunos autistas sem o menor preparo para atendê-los de forma precisa.

Primeiramente, destaca-se a desinformação acerca do autismo no Brasil. Segundo pesquisa da revista UOL cerca de 90 por cento dos brasileiros portadores do espectro autista não recebem diagnósticos eficazes, devido a falta de conhecimento intrínseca na sociedade brasileira, até mesmo, dentre os próprios profissionais da área. De acordo com a pedagoga Carolina Ramos, “ainda há grande dificuldade de encontrar um profissional que realmente conheça a síndrome.” Evidenciando tal despreparo social e negligenciando os tratamentos adequados que, por conseguinte, limita a inserção de autistas e seu engajamento no corpo social.

Outrossim, a desqualificação do corpo docente escolar configura-se um fator impossibilitante para a socialização de alunos com autismo na escola e, consequentemente, na sociedade como um todo. Seguindo o senso escolar do MEC - Ministério da Educação- o número de autistas matriculados nas escolas brasileiras cresce 146 por cento anualmente, ao passo que o número de educadores capacitado para atendê-los sobe - em cada ano- apenas 28 por cento. Exponenciando, portanto, a inaptidão das instituições de ensino e o bloqueio na inclusão de autistas. Ademais, segundo o pedagogo e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

Portanto, é mister que o governo federal aliado ao MEC, por meio de mudanças nas diretrizes e bases da educação, inclua o estudo e a conscientização sobre o autismo como projeto escolar através de oficinas, palestras e debates semanais dentro das escolas e, com médicos capacitados, que envolvam a inclusão de autistas. Capacitando, assim, professores, alunos e todo corpo docente, ao passo, que garantam a incrementação nos currículos de tais participantes. Para que aos poucos a s barreiras da inclusão sejam destruídas e a escola torne-se um ambiente acolhedor, passível de socialização para os autistas. Além disso, o conhecimento disseminado nas escolas chegará - por meio dos alunos- até às famílias, propiciando a erradicação do preconceito. Com isso, conforme Brás Cubas propôs, a sociedade não passará às futuras gerações o legado dessa miséria.