Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/05/2019
Segundo dados da CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), estima-se que 1% dos brasileiros seja portador do transtorno do espectro autista (TEA), distúrbio que afeta a capacidade de aprendizado e comunicação de crianças e adultos. Essa estimativa, no entanto, não pressupõe a inclusão efetiva dessa parcela populacional a partir da garantia de seus direitos básicos, o que se deve a fatores como a falta de conscientização e a deficiência no setor educacional. Nesse sentido, deve haver um amadurecimento da opinião pública capaz de promover a igualdade civil.
Em primeira instância, a carência de informações disponibilizadas à população acerca do autismo é, ainda hoje, entrave para a promoção de políticas públicas inclusivas. O mito de que vacinas acarretam o desenvolvimento desse distúrbio, ou ainda, a concepção de que portadores da síndrome não são capazes de interagir socialmente, são percepções que circundam o imaginário de grande parte dos brasileiros. Em maio de 2019, por exemplo, pais de crianças diagnosticadas com TEA adquiriram uma solução química de MMS, fórmula equivalente à água sanitária, que causa danos ao sistema digestivo, impulsionados pela falsa ideia de cura.
Outrossim, os centros de ensino brasileiros apresentam uma dificuldade histórica em assegurar, a crianças autistas, o acesso e a permanência no ensino regular. Maria Teresa Mantoan, professora da UNICAMP (Universidade de Campinas), afirma que, para uma inclusão efetiva, as escolas devem promover mudanças funcionais a fim de adaptar-se às necessidades individuais dos alunos. Todavia, nas instituições educacionais do país, a falta de acompanhamento terapêutico, o número insuficiente de formações para os educadores e a ausência de mediadores nas salas de aulas dificultam a adaptação de estudantes portadores do TEA, que precisam aprender a lidar com dificuldades de atenção, raciocínio e aceitação de erros.
Sendo assim, é imprescindível propor mudanças que objetivem incluir socialmente a parcela populacional portadora do autismo. O Ministério da Saúde deve promover, em espaços públicos do país, palestras com profissionais da saúde, que contem com a participação da sociedade civil, a fim de disponibilizar aos cidadãos um aporte maior de informações, desmistificando o TEA. Ademais, o Ministério da Educação deve assegurar a presença de terapeutas e mediadores nas escolas públicas do país, além de viabilizar a realização de formações para os educadores, permitindo a integração efetiva de alunos autistas.