Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/05/2019

Desinformação, interação social comprometida, discriminação. Diversos são os desafios enfrentados pelas pessoas acometidas pelo autismo no Brasil. Ao longo da formação do imaginário coletivo brasileiro construiu-se a ideia de que pessoas autistas possuem limitações de aprendizagem e, por consequência, incapacidade de exercerem atividades como estudar e trabalhar. Com efeito, esse panorama de desconstrução do outro, fruto do preconceito social e da ineficácia do Estado em reverter esse quadro, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.

Em primeira instância, o preconceito de grande parcela da população motiva um cenário de injustiça social, haja vista que o povo brasileiro apesar de sua multipluralidade cultural mantém o preconceito vivo em suas relações sociais. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde, 1 a cada 160 crianças são acometidas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo, o que mostra a importância do conhecimento e debate acerca dessa problemática. Cabe ressaltar, também, que o artigo 5° da Constituição Federal garante que todos os cidadãos brasileiros são iguais perante à lei, portanto, portadores do TEA devem ser incluídos de maneira igualitária nas políticas públicas.

Em um segundo plano, a ineficácia Estatal fomenta um complexo cenário de desrespeito às minorias, visto que a falta de políticas públicas que visem a inclusão de pessoas com autismo coloca esses indivíduos à margem no panorama social. Ademais, essa realidade materializa com nitidez a concepção de “Violência Simbólica”, refletida por Pierre Bourdieu, cuja base teórica buscava compreender os tipos de violência que, apesar de não causarem danos físicos, causam danos psicológicos e morais.  Assim, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente, na qual essa grave situação ainda se faz presente no contexto nacional.

Portanto, o preconceito social e a ineficácia do Estado são desafios à integridade da população autista brasileira. Visto isso, a fim de garantir a melhora desse panorama, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Educação, por meio do redirecionamento de verbas, criar escolas voltadas para o ensino de pessoas portadoras do TEA, com professores especializados para lidar com elas. Adicionalmente, após as aulas devem ocorrer atividades em grupo, conduzidas por psicólogos de modo a amenizar a dificuldade de integração social desses indivíduos. Dessa maneira, toda a população será beneficiada e a reflexão de Pierre Bourdieu não mais será uma realidade no Brasil.