Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/05/2019

Infelizmente, os indivíduos que convivem com o autismo no Brasil são submetidos diariamente à ignorância de uma sociedade que, ao invés de acolhê-los, agem com preconceito e discriminação frente a uma doença séria e que merece máxima atenção. Embora o país já tenha evoluído em relação à alguns aspectos que circundam essa problemática,como com a criação da política de proteção aos direitos dos autistas e os avanços científicos propiciados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em relação a doença, através do projeto genoma, é nítido que ainda existe um despreparo político, social e científico no sentido de garantir a inclusão dessas pessoas dentro da engrenagem social, garantindo sua igualdade, expressão e participação enquanto atores sociais.

Primeiramente, é necessário reconhecer que os conhecimentos relativos ao diagnóstico e tratamento dessa doença no país ainda são precários, o que dificulta demasiadamente o processo de inclusão dessas pessoas. Assomando-se a isso, existe a gestão pública ineficiente, que não reconhece a importância da criação de políticas públicas  e de investimentos na área científica voltados para facilitar a vivência desses indivíduos, o que resulta em um processo execrável de exclusão e invisibilidade social.

Quando analisa-se esse cenário do ponto de vista jurisdicional, é perceptível que a leniência das entidades públicas em garantir a acessibilidade dessas pessoas aos seus direitos básicos - como saúde, educação, segurança e emprego -, é extremamente inconstitucional, ferindo diretamente a constituição federal, que por sua vez, garante a igualdade civil e a obrigação do estado e da coletividade em garantir o acesso aos direitos básicos de sobrevivência.

Sendo assim, é importante analisar, planejar e executar ações que garantam que os autistas sejam incluídos na sociedade como qualquer outro ser humano, atentando-se, obviamente, para as limitações que cada paciente pode apresentar, a depender do grau da patologia.

Tendo em mente isso, é preciso que o governo invista mais em ciência e tecnologias voltadas à garantir o diagnóstico precoce, terapias que trabalhem diretamente no comportamento do indivíduo e que o faça se sentir confiante e capaz, além de fornecer medicamentos de controle através do sistema básico de saúde para garantir o tratamento a todos os afetados. No mais, é recomendado  a construção de espaços de convivência, por parte do governo, destinados a inclusão em um meio agradável e receptível as suas necessidades. Por fim, é necessário que o governo, em ação conjunta com o legislativo e o judiciário, providencie palestras e minicursos gratuitos voltados à sociedade com vistas a abordar essa problemática e, assim, tentar modificar a forma como o povo enxerga o autista hoje.