Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2019
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios enfrentados pelos portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA), no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o desconhecimento sobre características de pessoas com autismo, rompe essa harmonia, haja vista que a desinformação sobre o caso leva ao preconceito e limita o direito ao exercício de cidadania do portador. Limitações que afetam suas vidas no âmbito social, seja na infância, no ambiente escolar, seja na fase adulta, no mercado de trabalho e cotidiano. Tendo em vista que, não há flexibilidade e adaptação para que os mesmos sejam inseridos nesses setores.
Outrossim, destaca-se a falta de profissionais qualificados para lidar com o transtorno na rede pública como impulsionador do problema. De acordo com o físico alemão Albert Einstein, o universo do ser humano se limita ao tamanho do seu saber. Logo, tudo aquilo que é ignorado, não existe para ele. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o autismo foi ignorado durante muito tempo, sendo reconhecido e adicionado à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde apenas em 1993. Logo, verifica-se que a demora da inclusão neste ranking também é reflexo da falta de conhecimento, dessa vez, no âmbito científico. Ademais, devido a falta de mecanismos adequados para diagnosticar tal patologia, usa-se o diagnóstico baseado em observação do paciente, porém, nem sempre as características são evidentes. Assim, prejudicando o indivíduo, tendo em vista que o diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para melhoria no quadro do paciente autista.
Portanto, é evidente que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o poder Judiciário deve aperfeiçoar a lei já existente, promovendo melhores condições na saúde pública e educação, com ambientes específicos e tratamento adequado às limitações do indivíduo, Além do mais, o Ministério da Educação (MEC), deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam a pluralidade a respeito do cotidiano e dos direitos dos autistas, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.