Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 25/05/2019
Na obra “Memórias póstumas de Brás Cubas”, o realista Machado de Assis expõe, por meio da repulsa sofrida pelo personagem principal (que era coxo), o quão precária é a inclusão dos deficientes no cenário nacional. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço dos direitos humanos, os portadores de necessidades especiais ainda sofrem, diariamente, com o descaso que se perpetua no Brasil graças à omissão do poder público. Tem-se como exemplo os portadores do Transtorno do Espectro Autista, que são tratados com imenso desprezo, sendo afastados das esferas sociopolítica, econômica e educacional, logo, esses cidadãos são condicionados a viver às margens da sociedade.
De início, pode-se lembrar que o preconceito e descaso com os autistas não é uma invenção do século XXI; no ano de 1903 o Hospital Colonial de Barbacena (que mais tarde ficaria conhecido como o criador do holocausto brasileiro) prendia, maltratava, humilhava e até matava portadores de transtornos mentais, incluindo os autistas. É de conhecimento geral que a Organização Mundial da Saúde só passou a considerar o autismo como doença a partir de 1993, logo percebe-se que esse é um dos reflexos da falta de conhecimento e preocupação para com os portadores da doença. Estes são apenas alguns dos fatos que consolidam o escárnio sofrido pela população autista brasileira, que cada vez mais são deixados em segundo plano no cenário acadêmico e profissional por todo o país.
Tem-se conhecimento que a constituição cidadã de 1988, garante igualdade de direitos para todos os cidadãos, independentemente de cor, raça, etnia, religião, sexualidade ou deficiências físicas e mentais, em contraste, o governo age com imensurável descaso ao não proporcionar políticas públicas funcionais que busquem a inserção dos autistas nas esferas acadêmica e econômica do país. Sabendo que a educação é o único meio de inclusão social, de fato, viável, o educador Paulo Freire afirma que “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, sob esse viés, pode-se dizer que o único caminho para alcançar uma sociedade plural e equitativa, é a educação de qualidade.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério da Saúde deve criar uma campanha de conscientização sobre o autismo, com fim de mostrar à população a importância de inserir essas pessoas nos cenários acadêmico e econômico do país, a partir da distribuição de livros e panfletos. É imprescindível que a mesma conte com palestras preparatórias, de cunho pedagógico (dirigidas por médicos, psicólogos e especialistas), que ensinem alunos e professores como lidar, acolher e educar os portadores da doença, de forma totalmente gratuita e inclusiva. Somente dessa forma será possível obter um Brasil, de fato, justo, plural e abrangente.