Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/06/2019
No limiar do século XXI, a falta de um diagnóstico preciso do autismo aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que a capacidade de sociabilização de muitas pessoas é comprometida. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão do poder público está entre as causas da problemática, uma vez que os recursos financeiros que são destinados ao diagnóstico e tratamento de portadores desse transtorno são insuficientes. Diante disso, vale discutir as implicações que o espectro autista pode motivar em um indivíduo na sociedade e a importância da inclusão social para o desenvolvimento do país.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que o diagnóstico do autismo é impreciso, bem como insuficiente em si mesmo - já que nem exames genéticos são capazes de identificar o transtorno. Em virtude disso, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 70 milhões de pessoas possuem a enfermidade. Nesse sentido, o caso do grande inventor e engenheiro, Nikola Tesla, evidencia bastante o tema, haja vista que Tesla apresentava muitos comportamentos típicos do transtorno do espectro autista. Todavia, o inventor não teve um diagnóstico eficiente e passou a vida inteira com dificuldades para o exercício da comunicação. Apesar de ter sido vítima de discriminação, Nikola provou ao mundo que a pessoa com autismo não deve ser inferiorizada, tampouco marginalizada na sociedade.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da inclusão social para a evolução do país. Nesse sentido, o sociólogo Robert Putnam defende o pensamento de que a mesma pessoa torna-se mais eficiente e produtiva se está inserida num ambiente social em que há um alto nível de confiança e responsabilidade recíproca entre as pessoas. De maneira análoga, é imprescindível que ações sejam realizadas no sentido de promover a inserção de grupos minoritários ao corpo social, o que possibilitará o fortalecimento da cidadania desses indivíduos. Na contramão desse cenário, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que mais da metade dos portadores do transtorno de espectro autista, aproximadamente 60%, não recebem o tratamento adequado no Brasil, que consiste no atendimento multiprofissional e acesso a medicamentos específicos.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para incluir pessoas com autismo à sociedade. Cabe ao Ministério da Saúde solicitar o direcionamento de, pelo menos, 10% das arrecadações das prefeituras para o atendimento e acompanhamento multiprofissional, em postos de saúde, de pessoas com sintomas do autismo. Nesse ambiente, terapeutas deverão trabalhar no sentido de desenvolver as capacidades comunicativas desses indivíduos e, por conseguinte, permitir sua autonomia na sociedade.