Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/05/2019

Para o célebre filósofo indiano Osho, o desenvolvimento social precede qualquer evolução da sociedade. É notório o fragmento crítico que pode ser extraído de tal pensamento sob o intuito de efetuar uma análise acerca de dois importantes fatores: os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil e as consequências do descaso com tal minoria.

A priori, convém ressaltar a dificuldade de promover a conscientização do governo brasileiro sobre a relevância desse tema. Nas obras Metafísica e Sobre a Alma, Aristóteles define um método de estudos que consiste em checar as particularidades de cada fragmento do objeto para se chegar à verdade universal sobre o mesmo, por meio das semelhanças entre suas ramificações. Ora, uma vez que a indiferença para com grupos de pouca expressividade social se traduz como um subterfúgio para “prevenir” investimentos em infraestrutura e profissionais especializados na área, observa-se uma distorção dos conceitos originais do pensador grego, onde as individualidades de poucos não estimulam as mentes a defini-los como parte do todo, o que os priva de um indispensável auxílio.

Desse modo, um contexto errôneo e injusto de igualdade permeia a nação, no qual a construção de direitos civis não se estende a todos os habitantes, mas só àqueles que são similares à maioria. Martin Heidegger, prevendo a ocorrência de empecilhos ao progresso humano, afirmou que o homem nasce em estado de confusão, sendo forçado a viver sob condições que não escolheu. A superação desse estado é chamada de “transgressão”, e constitui elemento fundamental à estabilização do espírito no tempo e no espaço. Porém, se uma pessoa não tem ao seu dispor os mecanismos que lhe garantiriam não uma superioridade, mas uma equivalência de posições de largada em relação àqueles que não necessitam de ajuda especial, então tal indivíduo permanecerá estático até que faça um esforço de ordem dez vezes maior ou até que aja uma comoção generalizada em prol de seu quadro.

Portanto, é válido adotar medidas de intervenção. Uma ampla parceria entre o Ministério de Educação e Cultura (MEC) e o Governo Federal, na forma de um maior estímulo à formação de especialistas, como terapeutas ocupacionais, por meio de investimentos desse para com aquele e com uma posterior criação de mais bolsas de estudo e concessão de crédito estudantil extra para os universitários da área-alvo, além de uma possível medida, pelo poder legislativo, que torne obrigatório e gratuito o acompanhamento psicológico ao menos uma vez em cada quinzena, para todas as crianças e adolescentes cujos pais comprovarem deficiência cognitiva ou distúrbio passível de atendimento, contribuiriam como medidas de intervenção a médio e a longo prazo.