Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2019

O Transtorno do Espetro Autista é uma síndrome caracterizada por falhas no desenvolvimento cognitivo, como fala e raciocínio, que manifesta -se na dificuldade de interação com outros indivíduos. Embora haja milhões de autistas no Brasil, ainda é perceptível sua baixa integração à sociedade em decorrência do desconhecimento que os impede de viver dignamente. Por isso, debater sobre esse assunto é  fundamental para se alçar novas perspectivas de mudança desse quadro.

Em primeiro lugar, a cidadania de crianças e adultos acometidos pelo autismo é prejudicada quando eles não ocupam os espaços na vida social. Sob esse viés, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 deixa claro que todos têm direito à dignidade. Isso significa que o pleno acesso à saúde e à educação, por exemplo, deve ser irrestrito e garantido pelos governantes de um país. Entretanto, a ausência de políticas públicas brasileiras concretas e eficientes para esse grupo fere a promulgação da ONU e, sobretudo, sua existência cidadã, o que agrava-se com a falta de informação.

Nesse sentido, a demora no diagnóstico somada a escassa difusão de dados acerca da síndrome favorecem o preconceito. A despeito da sua gravidade e proeminente incidência mundial, o autismo entrou para a Classificação Internacional de Doenças da OMS somente em 1993, provavelmente devido à frágil atenção dedicada a essa área revertida em poucos investimentos em pesquisa. Sendo assim, as causas permanecem desconhecidas, a identificação por profissionais da saúde é tardia em muitos casos e as pessoas “normais” não sabem lidar com os autistas, o que estimula à discriminação e ao maior isolamento sofrido por eles.

Urgem, portanto, medidas contundentes visando à progressão desse cenário deficiente na inclusão de vidas comprometidas pelo Transtorno do Espetro Autista. Para isso, o Ministério da Saúde deve ampliar o tratamento por meio de parcerias com ONGs especializadas e a contratação de equipes multidisciplinares a fim de que garantir melhor acesso à saúde , bem como apoio e orientação aos pais e responsáveis. Ademais, o Ministério da Educação pode incentivar as escolas a receber alunos autistas a partir de subsídios financeiros e pedagógicos, como a capacitação de professores, de modo que o ensino seja adaptado - não distinto -  e as demais crianças aprendam a acolhê-los em quaisquer atividades. Por fim, é essencial que ambos os Ministérios dediquem-se às pesquisas nesse campo por meio do repasse de verbas para bolsas de estudo em universidades e instituições científicas para que mais informações sejam descobertas e aperfeiçoem o tratamento. Seguindo esses passos, será viável proporcionar maior qualidade de vida aos autistas pela permissão do exercício de sua cidadania e pelo combate à ignorância tão inóspita aos seus direitos.