Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 25/05/2019

A série “Atypical” narra, por meio do seu protagonista, o desafio de se inserir socialmente vivido por quem possui TEA (Transtorno do Espectro Autista). Apesar de ficcional, narrativa semelhante pode ser encontrada no cenário brasileiro, uma vez que, segundo a ABRA (Associação Brasileira de Autismo), mais de 150 mil casos são diagnosticados anualmente no país. Nesse contexto, cabe analisar os motivos que corroboram essa problemática, dentre eles o preconceito e a falta de políticas públicas especializadas à essa minoria, principalmente no âmbito educacional.

A priori, é notório como a estigmatização contribui negativamente para a superação desse problema. Sob essa perspectiva, por não se encaixarem no padrão vigente, os portadores do transtorno são vítimas de discriminação por suas condições. Dentro dessa lógica, a violência simbólica, conceito do sociólogo Pierre Bourdieu, faz-se presente quando, o grupo dominado, os autistas, são reprimidos de modo violento — ainda que não seja fisicamente —, pelo grupo dominante, os não autistas.

Outrossim, é notório uma falha no sistema escolar em relação ao acolhimento de pessoas com TEA. Nesse raciocínio, para o filósofo Lev Vygostky, a educação não deve se distanciar dos aspectos da vida social. Assim, faz-se necessário que as escolas regulares se adaptem aos alunos autistas. Em contraste, é observável uma fraca capacitação dos profissionais educadores, dificultando o ingresso dessa minoria nas escolas. Consequentemente, a exclusão da presença desses indivíduos no espaço escolar não permite a entrada no mundo acadêmico e, tampouco, no mercado de trabalho.

Infere-se, portanto, que há barreiras que impedem a mudança desse cenário. Para minimizá-las, é mister que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, crie um programa dentro da Base Nacional Comum Curricular que vise debater o autismo nas salas de aula. Não obstante, também devem ser oferecidos, pelos mesmos órgãos, cursos especializantes para os docentes, ministrados por psiquiatras e psicólogos, para que eles possam saber como agir diante dos alunos que apresentam o transtorno. Essas medidas terão como finalidade combater o preconceito e melhorar a qualidade educacional, para que assim seja possível superar os desafios diários vivenciados pelos autistas.