Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 31/05/2019
Durante os séculos XVIII e XIX, neuropatologias eram tratadas majoritariamente por meio internações compulsórias em manicômios. No Brasil, a pioneira na utilização de terapias alternativas foi Nise da Silveira, que, através da luta antimanicomial, trouxe dignidade e empatia para o tratamento dos brasileiros que apresentam neuropatologias. Contudo, essa conscientização não é geral, principalmente em relação ao autismo, devido principalmente a sua descoberta recente, em 1940, situação que acarreta desafios para a inclusão em sociedade das pessoas inseridas dentro desse espectro.
Nesse contexto, um dos principais fatores que dificulta essa luta é o diagnóstico médico tardio, de acordo com neuropediatras da UERJ, que é feito em média com quatro ou cinco anos, mas que deveria ser feito com dois ou três anos. Isso ocorre, por sua vez, em decorrência da dificuldade de estabelecer com exatidão que o conjunto de sinais típicos, como ecolalia e desatenção, por exemplo, estão atrelados ao espectro autista e não apenas a atrasos de desenvolvimento. Ademais, um desafio da inclusão é a falta de compreensão dos neurotípicos, ou seja, pessoas fora do espectro autista, em reconhecer a dificuldade comum à maioria dos autistas em relação a interação social, como perceber o sentimento veiculado a sinais não tão explícitos, como um suspiro ou um revirar de olhos, por exemplo.
Outro desafio recorrente relaciona-se ao estigma social de pessoas autistas que, muitas vezes, são negligenciadas pelo Poder Público e pela sociedade brasileira. Com isso, a Lei Berenice Piana, desenvolvida para assegurar direitos básicos a tais indivíduos, não é respeitada, situação que dificulta sua inclusão. Uma prova disso é a reportagem do Jornal de Brasília, que expôs casos na rede pública e na rede privada, de rejeição a alunos autistas em São Paulo, com a justificativa de que não havia infraestrutura para tais. Dessa forma, a inclusão já na infância, extremamente importante para auxiliar no tratamento social dos autistas devido à neuroplasticidade infantil, é inviabilizada, infringindo a lei criada pelo Governo, bem como a Constituição, que determina o direito irrestrito à educação.
Diante do exposto, a fim de garantir a inclusão de pessoas com autismo, é necessário que as Secretarias de Educação, por meio de palestras ministradas pela Associação de Amigos do Autista, conscientizem os alunos e as instituições de ensino a respeito da importância dessa convivência no ambiente escolar. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com tais instituições, deve assegurar o acompanhamento psicológico nas escolas para diagnosticar previamente o autismo e, com isso, dispor de terapias na rede pública que facilitem a inclusão desses indivíduos aos demais ambientes. Com isso, os efeitos da descoberta recente do autismo não mais significariam dificuldades para a inclusão dessas pessoas.