Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/06/2019
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua concepção de modernidade interligada, “o homem é responsável pelo outro, seja de modo explícito, ou não”. Ademais, tem sido evidente o descaso social e político na inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Nesse sentido, convêm analisarmos as implicações dessa problemática que gera tanto preconceito e a exclusão social.
Em primeiro plano, dados de uma pesquisa da USP apontam que em 1993 o autismo passou a ser visto como uma doença. Por conseguinte, em 2008, a ONU lançou o dia Mundial da Conscientização do Autismo, sendo que o Brasil, apenas no ano de 2012 fundamentou a Lei de Proteção dos Direitos do Autista. Tal demora criou um tabu em torno da síndrome, alimentando uma sociedade ignorante e regada de preconceitos, que demonstra não ter espaço para integrar esses indivíduos.
Além disso, outro aspecto decisivo nesse cenário preocupante encontra-se nas escolas de ensino público, que em sua maioria, não são adaptadas para receberem os portadores do TEA (Transtorno do Espectro Autista). Sendo assim, não há um currículo abrangente, que inclua as crianças autistas de forma que elas consigam aprender ou se sentir parte do ambiente escolar.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. É necessário que o MEC, juntamente com o Ministério da Saúde, levem documentários sobre autismo para as escolas e promovam palestras ministradas por psicólogos, a fim de promover o debate durante as aulas e o conhecimento da doença para os demais estudantes. Ademais, a Secretaria de Educação deve mudar o currículo escolar, adaptando os assuntos à temporalidade do autista com o fim de estabelecer a inclusão.