Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/05/2019
Durante a Grécia antiga, crianças nascidas com alguma deficiência física ou síndrome comportamental eram jogadas em um precipício, devido a não existência de políticas de inserção desses futuros cidadãos em funções militares ou sociais significativas que trouxessem benefícios às Cidades-Estado. Hodiernamente, a inclusão de pessoas com autismo no Brasil é uma problemática crescente, ora pelo diagnóstico na rede pública, ora pelo preconceito. Nesse contexto, tais fatores precisam ser analisados, com objetivo de entendê-los e solucioná-los de maneira adequada.
A priori, consoante a Émile Durkheim, uma sociedade sem regras claras, sem valores e sem limites, encontra-se em estado de anomia social. Sob essa ótica, o precário atendimento na rede pública de saúde torna-se um entrave no processo de inclusão de pessoas autistas no país, uma vez que não há equipes de profissionais adequadas para diagnosticar corretamente crianças com essa síndrome, inviabilizando o correto tratamento e a consequente melhoria de adequação desse público no meio social. Essa precariedade evidencia-se, a título de exemplo, em dados do grupo Impressão Digital da Universidade Federal da Bahia os quais mostram que no Brasil, em 2016, 90% dos brasileiros autistas não foram diagnosticados corretamente pela rede pública de saúde, em função do despreparo médico e de assistentes sociais de pequenas unidades básicas de saúde. Em decorrência disso, o brasileiro cria um perfil calamitoso de inclusão, tornando-se necessária, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, segundo Voltaire, educar mal um jovem é dissipar capitais e preparar perdas e danos À sociedade. De acordo com essa máxima, o preconceito configura-se como um agente que dificulta o processo de inclusão de pessoas com autismo no Brasil, visto que o cidadão desde muito cedo não é ensinado a lidar com as diferenças no âmbito social, propagando ideais de discriminação e violência psicológica a pessoas que possuem síndromes em ambientes escolares e laborais. Desse modo, urge a necessidade de providências que reformulem esse cenário deletério urgentemente.
Destarte, medidas fazem-se necessárias para solucionar a problemática de inclusão de pessoas com autismo no país. A fim de atenuar essa situação, é mister que o Governo Federal crie medidas que reformulem o cenário de tratamento e diagnóstico em hospitais da rede pública. Tal medida deve ser feita, por meio do Ministério da Saúde, criando cursos de capacitação de curta duração a profissionais da saúde em plataformas online, com efeito de melhorar o processo de diagnóstico e tratamento efetivo de crianças que possuam essa síndrome. Ademais, o Ministério da Educação deve implantar disciplinas de ética inclusiva na grade curricular de escolas, permitindo o aprendizado de jovens para lidar com esse público sem discriminação e impedindo a propagação futura do preconceito no campo profissional.