Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/06/2019

Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu que o bem-estar social deveria ser garantido a todos. Entretanto, a falta de inclusão de pessoas com autismo mostra que a promessa de Guimarães ainda não é realidade no Brasil. Com efeito, é preciso combater o preconceito da população e o descaso dos órgãos públicos.

A princípio, o preconceito da população acerca do tema inviabiliza a inclusão efetiva de pessoas que estejam no espectro autista. O National Health Service do Reino Unido – considerado o melhor sistema de saúde pública do mundo – afirma que as pessoas desconhecem ou são indiferentes aos efeitos da saúde mental. Ocorre que substancial parcela da sociedade é ignorante acerca de transtornos psicológicos e suas consequências, o que motiva um preconceito generalizado e a subestimação desse grupo minoritário pelo senso comum. Nesse sentido, enquanto não ocorrer uma desconstrução a nível social dos estigmas do espectro autista, esses indivíduos serão obrigados a conviver com o não-pertencimento.

De outra parte, a indiferença das autoridades inviabiliza as políticas públicas voltadas a esse público. Referente a isso, no século XVIII, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de Contrato social, segundo o qual indivíduos cedem sua confiança para o Estado, que, em troca, deveria garantir qualidade de vida aos cidadãos. Porém, as autoridades públicas se mostram incapazes de assegurar a inclusão dessa parcela da população, o que vai de encontro com a proposta de Locke e evidencia a negligencia e o descaso do poder público. Assim, não é razoável que o direito de bem estar social, previsto no século XVIII, ainda não seja realidade na geração contemporânea.

Para que haja efetividade na erradicação ou amenização do problema, o Ministério da Educação deve propagar a informação acerca desse tema para pais e alunos desde os primeiros anos de escola – lugar onde acontece o primeiro contato das pessoas com as diferenças do outro – por meio de palestras com profissionais e atividades inclusivas, a fim de acabar com o preconceito desde a sua raiz e formar uma sociedade mais justa e humanitária.