Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

A série “Atypical”, produzida pela plataforma de filmes Netflix, retrata, de forma íntima, a rotina e as particularidades de um garoto autista. De maneira análoga, as individualidades das pessoas acometidas por esse espectro só podem ser esmiuçadas quando identificadas e tratadas de perto,não havendo, nesse sentido, a opção de um cuidado generalizado e único, como é o indicado para outras doenças, e é essa particularidade que traz ao TEA (Transtorno do Espectro Autista) barreiras tão altas e densas. Nesse cenário turvo, cabe analisar como um sistema educacional não adaptado, bem como a falta de políticas públicas para esses cidadãos, configuram-se como os principais desafios a serem enfrentados, destacadamente no Brasil.

De acordo com a perspectiva filosófica de Emmanuel Kant, “o homem é essencialmente aquilo o que a educação faz dele”. Nesse viés, para a promoção da equidade social, os autistas necessitam da aplicação de conceitos educacionais  encaixados às suas necessidades desde a tenra infância,  visto que os estímulos sociabilizantes e de aprendizagem especificados contribuem consideravelmente para a evolução comportamental e cognitiva nesses indivíduos. Contudo, a aplicação desse molde especificado no sistema de ensino brasileiro, grifadamente no público, não tem sido uma condição priorizada, pois, conforme relatório divulgado em 2017 pela ONG “Amigo Azul”, apenas 5% das escolas públicas brasileiras possuem profissionais capacitados a promover educação especializada para os possuidores do TEA. Nisso, percebe-se que uma das principais bases para inclusão dos autistas no ambiente social - a escola - é extremamente falha, tornando-se, assim, uma das maiores dificuldades para eles.

e medidas mais urgentes sejam adotadas para garantir a ofertas de serviços qualitativos ido a criação tardia dessa tipificação, as instituições ainda carecem de adaptações para o público autista, por isso, é preciso que medidas mais urgentes sejam adotadas para garantir a ofertas de serviços qualitativos

Somado a isso, destaca-se as  políticas públicas ineficientes como outro transtorno a ser sanado. A lei 12.764, de 2012, estruturou as diretrizes necessárias para tornar a cidadania dos acometidos por TEA mais fidedigna à constituição brasileira, no entanto, a tardia elaboração dessa jurisdição a torna insuficiente no que diz respeito ao conhecimento da população para o seu cumprimento. Esse desfalque temporal de efeito conscientizador, é determinante para caracterizar a falha na efetivação da oferta igualitária de ações e serviços - tanto públicos quanto privados - para essa coletividade. Isso ocorre, porque, para além das punições, as leis também agem como reguladora do comportamento social. Nesse sentido, escolas, Sistema Único de Saúde (SUS), empresas, Previdência Social, entre outras repartições e a própria sociedade, por exemplo, adaptam as suas ações de acordo com o que é dito em lei, porém, devido a criação tardia dessa tipificação, as instituições ainda carecem de adaptações para o público autista, por isso, é preciso que medidas mais urgentes sejam adotadas para garantir a ofertas de serviços qualitativos