Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/06/2019
O Transtorno do Espectro Autista consiste de uma síndrome cuja etiologia possui componente tanto genético quanto ambiental e se manifesta em diferentes intensidades entre os pacientes acometidos, mas possui a característica comum de comprometimento da capacidade de socialização do indivíduo. Nesse sentido, pessoas com autismo possuem uma dificuldade intrínseca de interação com a sociedade à qual pertence e, portanto, de inserção na mesma. Esta, por sua vez, precisa compreender e participar de ações de inclusão de pessoas com autismo a fim de promover e garantir-lhes acesso aos direitos básicos sociais, tais como educação e desenvolvimentos pessoal e profissional.
No que tange aos aspectos educacionais, a própria condição da doença e sua limitação comunicativa se faz barreira para o processo de aprendizagem dessas pessoas. Associado a isso, a falta de qualificação adequada de professores para lidar com esse público em especial também consiste de um fator limitante para a inclusão das pessoas com autismo no ambiente escolar, haja vista ser o professor o responsável por mediar não somente o conhecimento acadêmico, mas também promover a interação entre os componentes daquele grupo social.
Por conseguinte, numa comunidade em que o progresso pessoal está diretamente associado ao componente profissional, e este à qualificação escolar, nota-se, portanto, uma relação intrínseca entre esses elementos e que, mais uma vez, consistem de barreiras para o curso de socialização indivíduo com autismo. Ao contrário do que é relatado pela série “The Good Doctor”, na qual o protagonista, Shawn Murphy, encena o papel de um médico cirurgião com espectro autista associado a uma síndrome de super-inteligência - síndrome de Savant -, na realidade, as chances de ambas as síndromes coexistirem são ínfimas. Ademais, pela complexidade do espectro, não se pode precisar o quão benéfica essa associação poderia ser, quando de sua simultaneidade, logo essa representação não pode ser extrapolada para além da verossimilhança.
Dessarte, como rege a legislação, é dever do Estado promover a saúde de sua população, e desta não se pode excluir o indivíduo com espectro autista. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação promover a capacitação de professores de todo o país por meio de cursos de especialização com foco em abordagem ao público com dificuldade de interação social, de maneira presencial e/ou à distância, para que os mesmos estejam aptos a lecionar de modo apropriado a fim de viabilizar efetivamente esse contato social relevante. Dessa maneira será possível dar passos iniciais à visibilidade das pessoas com autismo e oferecer-lhes possibilidades de ascensão e prosperidade tanto pessoal quanto profissional na sociedade brasileira.