Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 23/05/2019

De acordo com o escritor brasileiro Augusto Cury, “O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças”. Esse terreno, porém, é raro na sociedade contemporânea. No contexto brasileiro, a dificuldade de inclusão de pessoas com autismo devido à má aceitação dos mesmos por parte da população afasta os indivíduos da igualdade plena. Se, por um lado, não são devidamente acolhidos pelas escolas comuns; por outro, não possuem políticas públicas voltadas para as suas necessidades.

É fato que os autistas são excluídos do sistema educacional brasileiro. Conforme o sociólogo inglês T.H. Marshal pregava, todos os cidadãos deveriam ter acesso aos direitos civis, políticos e sociais, entre eles, a educação. De forma contrária à essa premissa, os indivíduos com tal síndrome , não raro, são impedidos de estudar em colégios normais, pois há a crença de que não são capazes de conviver com as outras crianças nem aprender os conteúdos programados. Entretanto, para que possam ser integrados ao corpo social, devem ter contato com jovens diferentes deles para desenvolverem a capacidade de comunicação e de raciocínio. Sendo assim, é um equívoco achar que as pessoas autistas devem estudar apenas em escolas especiais, que impede sua participação na engrenagem social.

Além disso, não existem políticas públicas que atendam às necessidades das pessoas com autismo.Isso se deve, principalmente, pela falta de controle do governo sobre a quantidade de indivíduos com tal síndrome, visto que o censo demográfico não inclui essa questão em seu questionário. Nesse prisma, sem os dados concretos sobre a população de autistas, como a quantidade de pessoas com essa condição, suas idades e locais de moradia, não é possível o planejamento de medidas que adapte o grupo à sociedade brasileira. Com isso, a negligência de órgão públicos diante as necessidades desses indivíduos acentua a segregação dos mesmos e sua dependência de ajudantes e acompanhantes.

Entende-se, portanto, que são muitos os desafios para incluir as pessoas com autismo no Brasil. Diante disso,é necessário que a mídia propague ideias de respeito às diferenças para diminuir o preconceito por parte da população aos indivíduos com essa síndrome. Paralelo a isso, o governo deve direcionar fundos para a criação de centros de apoio aos autistas, que ofereçam com frequência atividades de integração entre eles e atendimentos gratuitos com terapeutas ocupacionais,a fim de proporcionar tratamentos que muitas famílias não possuem condições de pagar.Assim,o país caminhará para a inclusão dos autistas à sociedade, respeitando suas diferenças e alcançando a igualdade.