Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 21/05/2019
A série de televisão norte-americana The Good Doctor retrata a trajetória de um jovem cirurgião portador do autismo e os preconceitos sofridos em seu ambiente de trabalho, desde incertezas sobre a capacidade de exercer sua profissão ao estranhamento de seu comportamento. No entanto, apesar de se tratar de uma ficção, muitos desafios de inclusão são enfrentados pelos autistas no Brasil diariamente. Dessa forma, mudanças são necessárias a fim de melhorar esse cenário preocupante e realista.
De início, vale ressaltar a impaciência da população diante dos casos de autismo no país. De acordo com a matéria divulgada pelo site Correio Brasiliense, a maior dificuldade de um indivíduo autista é enfrentar as intolerâncias, e isso deve-se à falta de conhecimento de grande parte da população a respeito dessa doença. Além disso, o cuidado que deve ser tomado ao tentar se comunicar com os autistas, por se fecharem com maior facilidade, é maior do que o de uma comunicação normal, outro motivo que gera impaciência e até mesmo preconceito, pois muitas pessoas os consideram incapazes de realizar qualquer tipo de atividade.
Ademais, é importante salientar a negligência do governo acerca dessa doença. A pouca divulgação dos direitos que toda população autista deve ter, além do baixo investimento em pesquisas que avancem o conhecimento dessa doença para um melhor tratamento, aumentam ainda mais as dificuldades de inclusão desse grupo numeroso, que segundo dados da Revista Autismo, compõem quase 2 milhões de brasileiros. Com isso, fica claro perceber que a população autista necessita de uma maior visibilidade no país.
Portanto, mudanças são indispensáveis a fim de diminuir os desafios de inclusão dos autistas no Brasil. De acordo com o escritor Victor Hugo, a tolerância é a melhor das religiões, logo, é preciso que o Poder Legislativo, juntamente com o Ministério da Saúde, reafirme as leis de proteção e inclusão da pessoa autista por meio de propagandas em canais abertos e palestras em instituições educacionais, além de aumentar o investimento em pesquisas que irão ampliar o conhecimento dos profissionais sobre essa doença, para que a inclusão da população autista seja efetiva, diminuindo o preconceito e garantindo os direitos. Com essas medidas, que não excluem outras, o cenário de The Good Doctor poderá ser apenas ficcional.