Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/05/2019

Em 1789, o Iluminismo consagrou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. Entretanto, a sociedade brasileira ainda se demonstra incapaz de tratar os autistas - pessoas com um transtorno global do desenvolvimento - da forma digna, prevista pelos iluministas há quase três séculos. Diante disso, pode-se destacar a falta de empatia e a inexistência de políticas públicas de inclusão como os principais propulsores desse problema no país.

Em primeiro plano, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelas dificuldades de inclusão que esses indivíduos vivenciam. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as formas de vida contemporânea se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, sendo incapazes de manter relações interpessoais concretas e duradouras. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, a supremacia do eu é potencializada e a maioria dos brasileiros, muitas vezes, perde a sensibilidade e a empatia diante da dor do outro, não se importando se há cidadãos que, apenas por possuírem algum tipo de transtorno, são marginalizados e alvos de constantes julgamentos. Sendo assim, essa falta de afeição com o próximo corrobora a manutenção de um quadro segregacionista e deve ser amplamente combatida.

Ademais, a falta de políticas públicas eficientes contribui para a grande dificuldade encontrada no tecido social brasileiro na inserção de autistas na própria sociedade. Isso acontece devido à grande burocracia existente nos Sistemas Legislativo e Judiciário, uma vez que diversos indivíduos não conseguem efetivar suas queixas ou denúncias acerca dos preconceitos sofridos, como aqueles que os portadores de autismo presenciam, o que gera o silenciamento dessa parcela da população e o acobertamento dessa injustiça. Dessa forma, para a inclusão integral dos autista  no corpo social, deve-se manter aberto um canal de comunicação entre todos os eixos da comunidade.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto às instituições de ensino, a inclusão de novas disciplinas sobre cidadania ao currículo escolar, por meio de palestras semanais realizadas por cientistas sociais especializados nas formas de combate aos preconceitos existentes, a fim de não apenas conscientizar toda a nação sobre os direitos dos autistas e os malefícios causados por sua marginalização, mas também promover uma mudança no comportamento social dos brasileiros. Então, a dignidade humana amplamente difundida pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão será devidamente assegurada.