Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/05/2019

Na antiga Esparta, crianças com deficiência eram assassinadas, pois não poderiam ser guerreiras, profissão mais valorizada na época. Atualmente, tal atrocidade não acontece mais, porém há grandes dificuldades para garantir aos deficientes - em especial os autistas - a ampla inclusão, devido ao preconceito ainda existente na sociedade e à falta de atenção do Estado à questão.

Inicialmente, um obstáculo enfrentado é a mentalidade retrógrada de parte da população, que age como se os autistas fossem incapazes de serem incluídos socialmente, como em escolas e posteriormente o mercado de trabalho. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Um exemplo disso é a discriminação contra os autistas nas escolas e nas faculdades - seja por olhares ofensivos ou pela falta de preparo dos profissionais escolares para garantir seu aprendizado. Nessa situação, o ambiente hostil gerado, possivelmente leva a manter o deficiente à margem dos seus direitos - fato tão grave e excludente quanto os homicídios praticados em Esparta, apenas mais dissimulado.

Outro desafio enfrentado pelos portadores de autismo é a inobservância estatal, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições sociais a existência de profissionais especializados para acolher esse grupo. De acordo com Jurgen Habermas, incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro. A frase do filósofo alemão mostra que, enquanto o Estado não garantir os direitos sociais, como educação e saúde - com respeito por parte de profissionais, estrutura e sociedade - tal minoria estará sofrendo práticas discriminatórias.

Destarte, para que os autistas consigam ser incluídos nas diversas esferas da sociedade contemporânea, é preciso integração dos Ministérios da Educação, Saúde e Cultura, para promover tanto capacitação de profissionais e ambientes que possibilitem o seu total desenvolvimento quanto assistência médica específicas às necessidades de tal público - possibilitando o amparo educacional, social, físico e psicológico dos autistas - para que assim a discriminação dessa minoria seja reduzida.