Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/05/2019

Notadamente, como acontece com outros grupos de minorias, os portadores de autismo têm enfrentado grandes adversidades para serem aceitos e inclusos socialmente. Essa inacessibilidade é evidente, pois, apesar de haver um grande número de autistas no Brasil - aproximadamente 2 milhões - a instituição de um Política Nacional se deu apenas no ano de 2012. Logo, o tema requer a superação dois obstáculos principais: o diagnóstico tardio e, consequentemente, demora no início do devido tratamento, bem como, a implementação de políticas públicas que envolvam todos os cidadãos.

A priori, cabe destacar o ponto de vista do Doutor Drauzio Varella, o médico difunde a relevância de exames e o acompanhamento do desenvolvimento de crianças de acordo com a carteira nacional de vacinação do Ministério da Saúde. Essa preocupação nas idades iniciais tem sido ignorada, comumente, pelos pais, em relação ao autismo, por ser uma síndrome pouco conhecida e facilmente confundida com outras anomalias comportamentais. Logo, a ausência de um diagnóstico preciso inviabiliza o começo de um tratamento adequado, que, sabidamente, tem melhores resultados quando iniciado precocemente.

Paralelamente, no cerne legal, a Constituição Federal prevê, em seu artigo 5º, os direitos e garantias fundamentais, dentre eles destacam-se a dignidade da pessoa humana e a igualdade de todos perante a lei, contudo, a ausência de Políticas Públicas tem prejudicado a consumação da lei. Essa falta de positivação do Estado é nítida pelo fato de ainda haver dificuldade do autista em obter acesso à educação infantil, pois, em alguns casos, só ocorre sob mediação judicial. Por conseguinte, é preocupante essa discriminação, já que a inclusão social é dever de todas instituições0, principalmente, órgãos públicos, e direito de todos cidadãos, pois colabora na arrecadação de impostos, indistintamente.

Portanto, verificam-se providenciais duas medidas mitigadoras para tal impasse. Primeiramente, os pais devem ter um olhar orientado por médicos especialistas, a fim de detectar comportamentos pouco comunicativos e sociais e, caso se constate o transtorno, procurar, tão logo, psicólogos para o tratamento. Concomitantemente à atuação dos pais, o poder executivo municipal, através da secretaria de educação, deve realizar campanhas de elucidação, aos seus colaboradores, sobre essa anomalia, a fim de diminuir o receio na convivência com o autista e, finalmente, aprimorar sua receptividade. Ao aplicar tais contingências, esperam-se atenuar disparidades e discriminações ainda presentes em referência ao autismo.