Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2019

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um ‘‘corpo biológico’’ por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Nesse contexto, para que esse organismo funcione de forma igualitária e coesa, é fundamental a garantia dos direitos de todos os cidadãos. No entanto, no Brasil, isso não ocorre, visto que uma parcela dessa população, os autistas, não se encontram amparados de maneira eficiente, infringindo, assim, seu legado democrático. Dessa forma, rever a situação a qual as vítimas estão inseridas é imprescindível para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.

Em primeiro lugar, está previsto por lei a total integração da pessoa com transtorno do espectro autista à sociedade. Porém, essas políticas continuam a fazer parte do plano imagético da Constituição, por serem além de recentes, pouco eficazes. Consequentemente, o pouco suporte orçamentário a essa minoria, principalmente da esfera pública brasileira, impede o desenvolvimento de pesquisas nessa área a fim de promover o domínio sobre a doença e posteriormente, a garantia da integralidade de acesso a medidas que visam atenuar as dificuldades dos portadores da síndrome. Assim, fica clara a distância que se está de uma conjuntura mais harmoniosa.

Outrossim, conforme Aristóteles validou, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para sua realização pessoal e busca pela felicidade. Entretanto, a violação desse preceito advém principalmente do preconceito e desconhecimento do distúrbio. Essa discriminação cultural, por exemplo, é responsável pelos obstáculos enfrentados pelas famílias na educação de seus filhos autistas, visto que algumas escolas recusam essas inscrições em vista do despreparo ao acolhimento destes com o apoio necessário de tutores especializados. Por conseguinte, esse cenário inviabiliza a noção de realização pessoal que poderia ser encontrada no convívio em comunidade como proposto por Aristóteles.

É evidente, portanto, que ainda há entraves na solidificação de medidas para amenizar essa inercial problemática. Diante dessa realidade, é preciso que haja investimentos estatais nas áreas de pesquisas científicas para o melhor conhecimento do transtorno e assim, diagnosticar com precisão e o mais rápido os portadores, para que desde cedo invista-se no desenvolvimento cognitivo deles. Ademais, esferas públicas e privadas devem capacitar professores, inserir tutores e terapeutas especializados nas escolas, além de garantir espaços e atendimentos adequados para incluir-los socialmente. Certamente, diante desse esforço conjunto, não haverá barreiras capazes de minimizar o problema.