Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/05/2019

Segundo o educador e filósofo brasileiro, Paulo Freire, a inclusão aconteceria não quando se aprende com as nossas igualdades, mas pelas nossas diferenças. Contrariando a filosofia do seu próprio patrono da educação, a realidade vivenciada por pessoas com autismo na sociedade brasileira demonstra a dificuldade que deve ser enfrentada para que a individualidade de cada cidadão seja uma oportunidade de aprendizado, e não mais uma forma de segregação. É importante, dessa forma, que discuta-se profundamente a respeito das raízes de tal cenário.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que o conhecimento acerca da síndrome é, ainda, muito raso. Isso pode ser demonstrado quando se observa que o autismo passou a ser considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde há apenas vinte e cinco anos, período muito recente cientificamente. Já tratando-se na questão da legislação, no Brasil, foi somente no ano de 2012 que os autistas passaram a ter os mesmos direitos que outros pacientes com necessidades especiais assegurados pela União. Ademais, o investimento aplicado em pesquisas que busquem aprofundar nas informações conhecidas atualmente pelo homem é pouco, dado que o diagnóstico da doença é impreciso mesmo com avaliação genética.

Além disso, outro grande desafio é encontrar uma escola que tenha a abertura e disponibilidade necessária para lidar individualmente com as dificuldades que um aluno com autismo possa apresentar. De acordo com o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, mas na prática, não é o que ocorre, visto que menos de 30% dos brasileiros autistas estão na escola. Isso acontece porque, o sistema público de educação têm matrizes curriculares falidas, segregando os que não se encaixam no “padrão”, o que embasa ainda mais a intolerância e preconceito na qual essas pessoas são submetidas.

Portanto, o Ministério da Educação em parceira com o Governo Federal, devem transformar o ensino público, como o melhoramento da infraestrutura das escolas, a especialização de professores e a disponibilização de vagas para todos, como está escrito na lei, a fim de proporcionar aos autistas uma educação de qualidade com a qual eles merecem. Caberia a mídia, em especial a televisiva, investir em novelas e filmes que incluíssem personagens com autismo, demonstrando suas dificuldades em ser inseridos em sociedade e, além disso, mostrando que todos têm o que aprender com eles. Espera-se, assim, que nossas diferenças não nos impeçam de viver em uma comunidade onde todos sejam igualmente respeitados e inclusos, sem distinção, como desejava o professor Paulo Freire.