Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 25/05/2019
De acordo com o artigo 5° da Constituição Federal brasileira, implantada em 1988, todos os indivíduos têm o direito de serem tratados de forma igual como cidadão sem distinção de qualquer natureza. No entanto, a inclusão de pessoas com autismo nos diversos setores da sociedade demonstra que o cumprimento efetivo desta prerrogativa constitucional é ainda um grande desafio. Diante disso, faz-se necessário garantir a estes indivíduos os seus direitos básicos, como educação e de viver em sociedade, executando, com efeito, o princípio constitucional de isonomia.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que incluir as pessoas com autismo nas escolas regulares é um importante desafio a ser superado. Haja vista que, segundo Nelson Mandela, o principal líder da luta contra o regime de segregação racial, “A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal”. Nesse sentido, a educação é, sem dúvidas, um meio de ascensão social e deve ser ofertado aos cidadãos de forma igual. É preciso, portanto, desenvolver um ambiente escolar e universitário que seja adequado para todas as diversidades no Brasil, pois segregar os autistas em escolas não regulares é uma maneira de afasta-los do convívio em sociedade.
Outrossim, não se pode negar que a falta de informação da sociedade sobre os transtornos do espectro autista é um fator que impede uma efetiva inclusão. De acordo com a OPAS, Organização Pan-Americana da Saúde, o principal desafio enfrentado por esses pacientes e familiares é o preconceito. Nota-se que tal preconceito é, muitas vezes, consequência da falta de debates amplos e de campanhas que desenvolvam empatia pelos autistas. Desse modo, a série norte-americana “Atypical”, lançada em 2018 pela Netflix, faz questão de relatar em seus episódios as dificuldades que a pessoa com autismo tem de ir a escola e a lugares públicos, muito por conta, da inabilidade dos indivíduos em lidar com o que é diferente.
Destarte, fica claro, que medidas devem ser tomadas com vista a mitigar os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Para tanto, é preciso que o Ministério da Educação, com o apoio das Universidades Federais, capacitem o corpo técnico escolar através de cursos e palestras sobre as formas de inclusão das pessoas com autismo nas escolas. Visto que a educação é uma forma de garantir a esses indivíduos vida digna. Ademais, é importante conscientizar a sociedade sobre os transtornos do espectro autista a fim de combater o preconceito contra esse grupo. Assim, as emissoras de televisão aberta devem inserir em suas novelas e minissérie, enredos análogos à série “Atypical”, já que, todos os segmentos sociais discutem a temática pautada por essas produções. Espera-se com isso assegurar todos os direitos constitucionais às pessoas com autismo no Brasil.