Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

“Atypical”, série original da Netflix, retrata os entraves vividos pelo personagem Sam, um adolescente que está dentro do espectro do autismo, ao tentar fazer parte da sociedade. Não diferente da ficção, infelizmente, ainda é um desafio a inclusão do autista no Brasil, seja pela falta informação, seja pela carência de investimentos.

Em primeiro lugar, escassez de informação ergue-se como fomentadora da problemática vivida, sentida e sofrida nas terras canarinhas. Isso porque, embora haja um dia no ano voltado para a conscientização sobre o autismo - isto é, dia 2 de abril -, não há o alcance abrangente da população - segundo a renomada USP, por exemplo, a lentidão no processo inclusivo do autista é consequência do pouco que se sabe sobre a questão. Tal situação evidencia que, em matéria de saúde, o Brasil segue na contramão de países desenvolvidos, visto que, mesmo estando na pós-modernidade, período no qual o conhecimento está a um “clique” de distância, parte da população ainda desconhece o autismo, o que nos faz questionar o título de quinta potência mundial que esta pátria ostenta.

Em segundo lugar, é inquestionável que o tênue investimento governamental acentua a exclusão dos autistas. Lógico, em um país cujo sistema de saúde pública está caótico, não é de se estranhar a infeliz situação dos que estão dentro do espectro autista. A verdade é que a postura estatal é de total displicência. Isso é pode ser provado por uma notícia divulgada no site do senado, que expôs como há urgência de apoio do Estado às pesquisas voltadas para  o Transtorno do Espectro Autista (TEA) que, como já fora explanado pela USP, ainda possui diagnósticos imprecisos e um exame genético ineficaz. Dessa forma, os portadores do autismo tendem a não receber o diagnóstico precoce, tampouco o tratamento adequado, podendo potencializar os sintomas da doença, como dificuldades de comunicação, e, assim, ocasionar prejuízos na inclusão dos “Sams” da vida real.

Diante do exposto, é imprescindível que o Governo Federal, no âmbito do Ministério da Saúde, dê um melhor suporte aos autistas, por meio da canalização de verbas para pesquisas de aprimoramento do diagnóstico e do tratamento dessa enfermidade – desenvolvidas em órgãos como a Fiocruz – afim de evitar as possíveis complicações da síndrome. Ademais, é preciso que redes de profissionais de saúde, como médicos e psicólogos, aliado a redes televisivas –Rede Record e Rede Globo, por exemplo-, informem à população, através de programas que orientem sobre a identificação, tratamentos e acolhimento dos autistas – veiculado nos intervalos de novelas de horário nobre -, visando ao alcance e à mobilização, com efeito, dos brasileiros. Somente assim, os “Sams” farão parte, de fato, da sociedade e o Brasil fará jus ao título de quinta potência mundial.