Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/05/2019

Segundo o filósofo inglês John Locke, é dever do Estado garantir os direitos inalienáveis do cidadão, tais como a vida, a liberdade e a propriedade privada. Por conseguinte, é indubitável que o governo tem um papel fundamental na inclusão de pessoas portadoras de autismo, por ter como obrigação resguardar a premissa lockeana. Contudo, a realidade brasileira contradiz essa ideia, pois o autista enfrenta grandes desafios diariamente devido à dificuldade de inclusão social desse grupo específico. Nessa perspectiva, é impreterível a necessidade de uma intervenção governamental com o fito de mitigar os obstáculos existentes na inserção dos portadores do transtorno e melhorar a qualidade de vida dos mesmos.

A princípio, cabe ressaltar que, de acordo com pesquisadores americanos, 1 em cada 110 pessoas se enquadra no espectro autista, sendo que, no Brasil estima-se que exista 2 milhões de brasileiros com o transtorno. Esse dado, demonstra que o autismo é frequente dentro da sociedade moderna, podendo ser identificado em crianças recém-nascidas e até mesmo em idosos. Entretanto, a falta de informação pode gerar dificuldades na identificação desses indivíduos, que, infelizmente, acaba resultando como consequência num tardio diagnóstico e uma falha na inclusão desse cidadão.       Outrossim, sabe-se que na série cinematográfica Atypical, produzida pela plataforma de streaming chamada Netflix, é retratada a história de um jovem autista que enfrenta problemas do cotidiano de forma única e emotiva, demonstrando as dificuldades de um adolescente enquadrado no espectro. Na obra, Sam é um garoto introvertido e vítima de bullying, no entanto, sua família é o grande alicerce na construção social da personagem, demonstrando o quanto o apoio familiar é fundamental no desenvolvimento do jovem autista.

Infere-se, portanto, a premência de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, busque criar um projeto de inclusão, por meio da formação de grupos de interação em escolas, universidades e centros de recreação, para promover o diálogo entre pessoas autistas e indivíduos sem o transtorno, incluindo os familiares, visando facilitar o entendimento do espectro autista dentro da sociedade. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, veicular campanhas de conscientização para instruir pais no processo de descoberta do espectro, facilitando assim a inclusão de crianças autistas de forma precoce e eficiente.