Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/04/2019

Sob a perspectiva antropológica de Claude Levi-Strauss, pai do estruturalismo, é necessário compreender o mecanismo funcional de um corpo para obter um maior entendimento dele e de seus conflitos. Nesse sentido, no Brasil, a sociedade é instigada a refletir sobre os desafios da inclusão de pessoas com autismo, síndrome que compromete habilidades de comunicação e interação social. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal para com a saúde pública e a omissão escolar colaboram para a baixa inserção de pessoas com autismo na sociedade brasileira.

A ausência de ações estatais para um diagnóstico de autismo prematuro configura-se como o principal desafio a ser superado a fim de integrar autistas à sociedade brasileira. Isso ocorre porque no precário Sistema Único de Saúde (SUS), inexiste o investimento em estrutura física e profissional capaz de realizar um reconhecimento prematuro - essencial para um acompanhamento na infância e uma bem sucedida integração à sociedade. Em decorrência dessa carência estrutural, pessoas com autismo, muitas vezes, acabam sendo privadas de um tratamento digno por meio de neuropediatras e psicopedagogos, especialistas primordiais e decisivos para o bem-estar de indivíduos autistas. Não é à toa, então, que, em reportagem da revista ‘‘Galileu’’ de 2015, diversos pais e responsáveis relataram uma fila de espera de até dois anos no SUS para fazer uma terapia.

Atrelada à incapacidade governamental de lidar com o autismo como questão de saúde pública, a omissão escolar também é um desafio a ser vencido. Isso decorre da falta de informação sobre o que é o transtorno de espectro autista, uma síndrome com estudos relativamente recentes. Hoje, lamentavelmente, é comum a escola omitir-se em relação ao aluno autista, que pode ser vítima de bullying e excluído por colegas de atividades e brincadeiras em grupo. Sob esse aspecto, Marilena Chauí, filósofa brasileira, diz: ‘‘O ser humano é um ser social’’. Desse modo, percebe-se como a escola, ao ignorar as diferenças, pode tornar-se um ambiente opressor.

Torna-se evidente, portanto, que o Estado e a escola devem trabalhar para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve, enquanto órgão máximo de promoção à saúde no país, a fim de aumentar a quantidade de médicos especialistas e psicopedagogos no SUS, realizar concurso público para seleção e contratação e disponibilização de um maior número desses profissionais à grande demanda de pessoas com autismo. Ademais, o Ministério da Educação deve, por meio de treinamento a professores, traçar diretrizes educacionais que tornem a vida de alunos autistas mais inclusiva, como atividades físicas adaptadas e aulas lúdicas. Assim, os desafios da inclusão de pessoas com autismo no país serão superados, com dignidade e respeito.