Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/07/2019

No livro ‘Amanhecer’’ Bella Swan se torna vampira e necessita reencontrar seu pai que não sabe de sua atual condição. Para ele não desconfiar, a personagem é ensinada a agir como um humano através de atitudes simples - as quais ela possui dificuldade - e, assim, não demonstra a naturalidade imposta. O mesmo ocorre com os autistas na sociedade, pois a atitude natural deles é bastante singular e, ao invés de celebrar suas peculiaridades, são ensinados a agir como a grande massa que não possui a síndrome. Nesse sentido, percebe-se que o maior desafio para incluir indivíduos com autismo no Brasil é o julgamento errôneo daquilo que é diferente; sendo assim, é premente entender por que isso ocorre.

Em primeiro plano, é importante destacar que a mente retrógrada e preconceituosa dos brasileiros fomenta esse problema, porque impõe-se à população padrões muito específicos de comportamentos sociais, os quais pessoas que possuem autismo não acompanham com precisão. Tal realidade é representada por Temple Grandin na obra ‘‘O Cérebro Autista’’. Conforme a autora - que também possui a síndrome - o cérebro de indivíduos com autismo processa as interações de um jeito aquém de as convenções sociais. Logo, uma sociedade que não reconhece as diferenças encontra um enorme desafio para alcançar a verossímil inclusão desses cidadãos; por isso, é primordial assolar esse preconceito que grande parte dos brasileiros possuem em relação ao que é desconhecido.

Ademais, entende-se que o déficit no poder judiciário é outro fator que permeia negativamente a inclusão. À vista disso, possibilita-se auferir, também, que a necessidade não é a criação de leis, mas a fidedigna efetivação delas, visto que, já são presentes a Lei Berenice Piana e o Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (CONADE) que resguardam , ambos, os direitos dos indivíduos com autismo no Brasil. Nesse aspecto, o problema ganha enfoque, pois é declarado na Carta Magna brasileira a inclusão, o respeito, os direitos dos autistas e, igualmente, o diagnóstico precoce, porém isso não ocorre de fato, uma vez que, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 40% dos indivíduos com autismo recebem o diagnóstico de modo tardio. Sendo assim, é crucial, sem dúvida, fazer a lei valer com concretude no país visando a real diminuição desses difíceis desafios.

Infere-se, portanto, que é mister a ação conjunta do Poder Judiciário e o Ministério da Educação para ocorrer a melhor efetivação das leis que abrangem os autistas, além da criação de campanhas midiáticas não só na televisão mas também na internet - as quais serão viabilizadas por meio de verbas governamentais - tanto às escolas quanto à majoritária população, para que as pessoas com autismo sejam respeitadas e suas particularidades aceitas. Assim, esses indivíduos  tornar-se-ão autênticos e não precisarão agir de modo mendaz, como Bella Swan o fez a fim de não ser julgada erroneamente.