Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 18/04/2019

“Amor à Vida”, novela veiculada pela Rede Globo em 2013, expôs ao público a realidade da personagem Linda, jovem portadora do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Fora do ambiente ficcional, o Brasil apresenta dificuldades na inclusão social de pessoas autistas, uma vez que há desconhecimento popular sobre o TEA e escolas despreparadas às especificidades dos alunos. Nessa linearidade, é importante o uso do diálogo como alternativa para desconstruir os muros sociais às “Lindas” no tecido brasileiro.

A princípio, a falta de informações sobre o autismo disponibilizadas à população contribui para que este transtorno seja problematizado no país. José Saramago, escritor português, em “Ensaio sobre a cegueira” critica as sociedades que são omissas aos problemas coletivos, sendo cada cidadão destas atingido por uma epidemia de “cegueira branca”. Nessa perspectiva, os brasileiros mostram-se cegos ao autismo, pois desconhecem o problema e tratam os portadores da doença com desrespeito e isolamento social. Exemplo desse fato é a trama da novela Amor à Vida, com a família da jovem Linda despreparada para lidar com as crises de identidade da garota, reclusa no ambiente domiciliar. Assim, a cegueira saramaguiana sobre o TEA é moldada pela acriticidade social à questão em pauta.

Afora essa análise, o papel das escolas na recepção de alunos autistas também faz parte do processo inclusivo, embora tal ação não seja efetivada na contemporaneidade. A Declaração de Salamanca, documento criado em 1994 pelas Nações Unidas, estabelece a responsabilidade das escolas na inclusão de alunos especiais mediante adaptações na infraestrutura e no ensino pedagógico. Ao observar a realidade brasileira no tocante à educação inclusiva, percebe-se uma discrepância à teoria da Declaração supracitada, uma vez que as especificidades dos alunos autistas são negligenciadas. Dessa forma, jovens se adaptam às escolas e não o contrário, o que dificulta na inclusão social desses alunos.

Depreende-se, portanto, ser crucial medidas que visem desconstruir as barreiras de socialização dos autistas no Brasil. Para isto, cabe ao Ministério Público, em parceria com a ABRA (Associação Brasileira de Autismo), ecoarem o TEA no seio nacional mediante diálogos de psiquiatras e psicólogos em redes sociais e mídias expositivas, como telejornais. Tal medida tem o fito de ampliar o conhecimento social à causa, melhorando o tratamento da população aos autistas. Investimentos no espaço escolar pelo Ministério da Educação também é importante, acolhendo os alunos especiais, tal como Linda; inserindo-os socialmente.