Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 19/04/2019

No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o protagonista rejeita e afasta uma moça de seu círculo social, por ser “coxa”. Hoje, séculos depois, a exclusão de pessoas consideradas “diferentes” por apresentarem doenças ou síndromes, ainda é uma realidade no Brasil. Com isso, a inclusão de autistas enfrenta sérios desafios para ser concretizada, pois além da dificuldade comunicativa enfrentada por essas pessoas, o atendimento e direcionamento profissionais em escolas e hospitais ainda é falha e a discriminação de parte do povo prejudica uma efetiva socialização.

Segundo o conceito de isonomia, todos são iguais perante a lei e, por conseguinte, as garantias constitucionais (tais como o direito de ir e vir, educação e saúde) devem ser asseguradas para toda a população. No entanto, a falta de preparo estrutural e humano de algumas instituições e lugares públicos afastam os autistas do convívio social, prejudicando o tratamento da síndrome e, principalmente, privando-os de uma vida mais feliz com a realidade que o cerca. Além disso, problemas como a demora no diagnóstico do estágio de autismo e a carente suporte das escolas, dificultam o progresso comportamental, comunicativo e intelectual do indivíduo.

Somado a isso, a sociedade brasileira age com discriminação, seja pela falta de conhecimento sobre o tema ou pelo histórico comportamento segregador, o que dificulta a melhora nas relações humanas. Através disso, o livre exercício da cidadania é comprometido pela pouca interação social, a inclusão é dificultada e a troca de conhecimentos entre os cidadãos não é feita, prejudicando-os, pois, como dizia Paulo Freire:“Não há saber mais nem saber menos, há saberes diferentes”.

Logo, nota-se que obstáculos precisam ser superados para haver uma verdadeira inclusão dos autistas no Brasil. Para isso, o Governo deve melhorar os ambientes públicos (como escolas e postos de saúde), através de investimento estrutural e incentivo aos profissionais, a fim de que estudem o autismo mais detalhadamente e esses ambientes tornem-se mais abertos e inclusivos. Ademais,a Mídia pode inserir na programação uma discussão sobre o autismo e  a importância da aceitação dessas pessoas nos círculos sociais, colocando-a em entrevistas ,telenovelas entre outros. Dessa forma, a inclusão social poderia ser alcançada e histórias como as do romance, ficariam no passado.