Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 05/04/2019

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente aos desafios da inclusão de pessoas com autismo é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito com autista que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela lenta mudança de mentalidade social, seja pela insuficiência do capitalismo.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma lenta mudança de mentalidade social prejudica os autistas no cotidiano. Isso acontece, em princípio, devido ao baixo senso crítico da população, descendente de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, por intermédio de um século em que as pessoas não conseguem ter empatia, devido ao mundo capitalista que apenas vê o homem como meio de aumentar o lucro, as empresas conseguem vender muitos remédios devido a precisão desses seres humanos. Segundo instituto Datafolha, são aproximadamente 3% de autistas no Brasil.

Nesse âmbito, as leis, aliadas aos interesses do capital, também propõem ao autista vida saudável. Partindo desse pressuposto, esse cenário colabora com termo ilusão da “contemporaneidade” defendida pelo filósofo Sartre, já que os cidadãos acreditam estar escolhendo uma mercadoria diferenciada, mas, na verdade, trata-se de uma manipulação que visa ampliar o consumo em vez de melhorar a qualidade de vida deles em relação a inclusão na sociedade.

Com o intuito de amenizar essa problemática, o Congresso Nacional deve formular leis que limitem esse assédio comercial realizado por empresas privadas, por meio de direitos e punições aos que descumprirem, a fim de acabar com essa imposição de exclusão dos autistas na sociedade. As escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir em relação quanto ao preconceito social, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade de inserir em diversos grupos do dia a dia. Feito isso, será possível a construção de autistas inclusos e com menos índice de preconceito.