Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/04/2019
Zygmunt Bauman, importante sociólogo que estudou os comportamentos sociais na pós-modernidade, suscitou uma relevante discussão sobre como as relações interpessoais foram modificadas, caracterizada por ele, metaforicamente como " líquidas “, ou seja, inconstantes, fluidas e efêmeras. Hodiernamente, esse pensamento se assemelha à luta cotidiana para a inclusão de pessoas autistas, os quais buscam melhores condições de vida e integração na sociedade. Logo, não só a morosa mentalidade de parte da sociedade, como também a negligência governamental contribuem para a exclusão desses indivíduos no campo social.
Convém ressaltar, a princípio, que a má formação socioeducacional de parcela dos brasileiros é um fator determinante para a permanência das más condições ofertadas às pessoas que possuem o Transtorno do Espectro Autista(TEA), uma vez que os governantes respondem aos anseios sociais e grande parcela da população não exige políticas para a inserção desses indivíduos na sociedade. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente as pessoas param de vê-la como errada. Desse modo, a mentalidade retrógrada de parcela da população que, muitas vezes, trata esses indivíduos como “invisíveis” é um entrave para a melhoria de vida dos autistas.
Nesse contexto, é notório que o Poder Público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos. Embora estejam assegurados na Constituição Federal, de 1988 - lei n°12.764, de 27 de dezembro 2012- a proteção e garantia de direitos básicos a essa parcela da sociedade, muitas vezes, esses indivíduos não usufruem esse direito na prática, o que reflete o despreparo do Governo para a inclusão desse corpo social. Em vista disso, os desafios para a inserção dos autistas na sociedade estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como um viés individualista, diminuindo as oportunidades sociais e educativas dessa minoria.
É evidente, portanto, que há entraves para que os autistas tenham o pleno acesso à inclusão no Brasil. Dessa forma, é preciso que o Ministério da Educação promova melhorias no sistema público de ensino do país, por meio de sua adaptação às necessidades dos autistas, como uma melhor capacitação dos educadores, por intermédio de cursos sobre TEA, a fim de preservar a inclusão no campo educacional. É imprescindível, também, que as escolas, por intermédio de projetos pedagógicos e atividades lúdicas, preserve o contato social entres os estudantes, com o fito de conscientizar o corpo discente. Assim, a “liquidez” exposta por Bauman nas relações sociais deverá ser revertida.