Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 15/03/2019

“É preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos equivocados construídos em outros contextos históricos”. A lógica do pensador francês Michel Foucault nos permite a refletir, em nossos dias,  sobre como a inclusão do público autista representa um problema a ser enfrentado de maneira mais organizada no Brasil. Dentre os fatores relacionados a essa problemática, destacam-se a negligência governamental e a falta de mobilização coletiva.

A Constituição Federal desde 1989 garante o direito a trabalho e à educação a deficientes, todavia o Poder Público, não efetiva esse estado. Em um estudo realizado pelo Jornal Nexo em 2016, por volta de 37,3% do público diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista) estava ou empregado, ou matriculado em alguma instituição de ensino. E apenas, aproximadamente, 15% do mesmo público havia concluído o ensino médio. Tais números proferem, lamentavelmente, o descaso público em realizar ações que denotem a mínima preocupação com um grupo social tão desprivilegiado.

Vale ressaltar também que a “supressão social” vivida por autistas no Brasil denota práticas preconceituosas atemporais em nosso país. A tese do liberalista Herbert Spencer em consoante à teoria da Seleção Natural de Darwin, define que “sobrevivem os mais aptos”. Tal concepção biológica, muito utilizada para legitimar discursos intolerantes, quando trazida à contemporaneidade, denota um agravamento de preconceitos cuja base têm raízes históricas errôneas, onde a função social do público autista é resumida, a análises baseadas em padrões estéticos, em sua maioria.

Portanto, para que os ideais de Foucault se resumam, enfim, em ações concretas,  cabe ao Governo Federal por meio do Ministério da Educação, capacitar professores e funcionários através do investimento em palestras e encontros presenciais com debates relacionados a antropologia, a vida em sociedade. Espera-se com isso, reduzir o distanciamento social e, por conseguinte, uma inclusão verdadeira do público autista no Brasil.