Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 11/02/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos – promulgada em 1948 pela ONU – assegura a todos os indivíduos o direito à saúde, à segurança e ao bem-estar social. Conquanto, a ignorância da sociedade civil à respeito do autismo e o despreparo de profissionais para lidar com as nuances da síndrome impede que essa parcela da população usufrua deste direito internacional na prática, uma vez que a exclusão de pessoas no espectro autista é um impasse na atualidade. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade educada, saudável e esclarecida seja alcançada. A proteção dos direitos do consumidor é um fator principal no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial seria racional acreditar que o Brasil possuiria medidas eficientes para garantir que seus cidadãos sejam providos de profissionais capacitados para reconhecer com qualquer condição e saber sobre as peculiaridades de cada uma Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no fato de que a maioria das mulheres autista, por se adaptarem melhor com o mundo e não aparentarem sua natureza são diagnosticadas erroneamente com outras síndrome, como depressão, ansiedade, distúrbio borderline e TOC. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, diante disso, é possível afirmar que são necessárias medidas para elevar a probabilidade de um diagnóstico correto. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis – como direito à segurança – para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os vulneráveis a uma condição de risco de modo que, segundo a Associação Internacional, devido a dificuldades de reconhecer más intenções, pessoas com autismo têm maiores chances de sofrer algum tipo de abuso. Diante do exposto, é inadmissível que a sociedade civil mantenha-se ignorante e consequentemente inerte diante da deplorável situação atual. Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor para portadores da síndrome e seus familiares. Dessa maneira, urge que o MEC, traga pesquisas atuais e, assim, amplie a capacidade de profissionais para reconhecer o autismo em homens e mulheres de acordo com suas diferenças . Além disso, é necessário que a mídia, em parceria com ONGs, informe a população no espectro e fora, sobre como lidar com situações de risco para autista por meio de campanhas . Feito isso, o Brasil poderia superar os obstáculos e prosperar em uma sociedade segura e informada.