Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Sob a perspectiva filosófica de Émile Durkheim, a sociedade pode ser vista como um corpo biológico, do qual as partes interagem entre si, formando uma estrutura coesa e integrada. No entanto, tal entendimento não encontra ressonância em boa parte da sociedade brasileira, visto que, ao se analisar os desafios da inclusão de pessoas com autismo na atualidade, o preconceito e a precarização das escolas permanecem intimamente ligados à realidade do país. Com efeito, visando ao enfrentamento do problema, faz-se necessário um debate entre sociedade e Estado.
Em primeira análise, é importante sinalizar que a discriminação e o preconceito são fatores determinantes para a marginalização de pessoas com autismo. Sob esse viés, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que o desrespeito aos direitos humanos está - sobretudo - na perpetuação dos preconceitos que atentam contra a dignidade da pessoa humana. Diante dessa questão, ao verem os filhos sofrerem bullying no ambiente escolar, muitas famílias optam por manter os portadores de autismo em casa durante todo o dia. Dessa forma, para transpor esses obstáculos, torna-se fundamental uma mudança nos valores da sociedade.
Outrossim, é válido salientar que a precarização das escolas mostra-se como um dos desafios para a superação do problema. Sob essa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 assegura o direito à educação de qualidade. Assim, a falta de preparo dos professores, bem como a falta de infraestrutura nas escolas, contribui para a perpetuação do problema no Brasil.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que a inclusão de pessoas com autismo seja ampliada. Para que isso ocorra, as escolas, em parceria com as prefeituras, deve promover ações educativas, por meio de palestras com profissionais da educação, como psicopedagogos, a fim de elucidar os jovens acerca da importância do respeito à diversidade. Ademais, o Ministério da Educação deve viabilizar a capacitação de professores, bem como a ampliação de infraestrutura das escolas, por intermédio da ampliação de investimentos na área, com o objetivo de oferecer aos autistas uma maior qualidade de vida. A partir dessas ações, espera-se promover uma maior inclusão social das pessoas com autismo, de forma que a sociedade seja como o corpo social proposto por Durkheim.