Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/10/2018

Se Valentim Magalhães presenciasse os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, novamente afirmaria: Aluísio Azevedo é no Brasil talvez o único escritor que ganha o pão exclusivamente à custa de sua pena, mas nota-se que apenas ganha o pão: as letras no Brasil ainda não dão para a manteiga. Devido a marca de apresentar a tristeza em seus livros, o autor se encaixaria perfeitamente para retratar a exclusão social, o bullying e o isolamento de um autista.

Sob esse viés, dados de uma pesquisa feita pela UFSCar apontam que mais de três milhões de pessoas são afetadas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. Tal fato tornou-se grave, pois há uma significante falta de profissionais capacitados nas áreas de saúde e educação para o tratamento. Sendo assim, criou-se um tabu em torno da síndrome, alimentando uma sociedade ignorante e regada de preconceitos, que demonstra não ter espaço para integrar esses indivíduos.

Além disso, as escolas do ensino regular não são adaptadas para receberem os autistas. Não há um currículo abrangente, que inclua os autistas de forma que eles consigam aprender ou se sentir parte do ambiente escolar, sem parecer-se incapaz. A partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dessas pessoas, é possível desenvolvê-los e torná-los adultos sociáveis e inseridos na comunidade.

Em virtude dos fatos mencionados, é evidente os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Portanto, é necessário que o MEC, juntamente com o Ministério da Saúde, levem documentários sobre autismo para as escolas, promovendo o debate durante as aulas e o conhecimento da doença para os demais estudantes. Ademais, a Secretaria de Educação deve mudar o currículo escolar, adaptando os assuntos à temporalidade do autista com o fim de estabelecer a inclusão. Para quem sabe assim, amenizar os desafios dos portadores de TEA no seu dia a dia e dar um passo a mais: a manteiga de Aluísio Azevedo.